Denúncia

Centro de tratamento para dependentes químicos é acusado maus-tratos e condições insalubres em Camaçari

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Segundo apurado pelo Bnews, há mais de 80 boletins de ocorrência contra o dono da clínica  |   Bnews - Divulgação Leitor/ BNews
Bernardo Rego

por Bernardo Rego

Publicado em 23/03/2026, às 15h45 - Atualizado às 16h25



Um centro de reabilitação em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador, é alvo de denúncias de maus-tratos e condições insalubres oferecidas aos pacientes.

Trata-se do Centro Terapêutico Família Camaçari. Segundo uma fonte que preferiu não se identificar, o local funcionava inicialmente em Itacimirim, atendendo homens e mulheres em tratamento psiquiátrico ou dependência química.

Atualmente, o centro opera em dois endereços distintos em Barra do Jacuípe, um para homens e outro para mulheres. A denúncia aponta que a mudança de endereço ocorreu devido à falta de pagamento do aluguel e à depredação do imóvel, que resultou inclusive em ação de despejo.

Ainda segundo a denúncia, o local não dispunha de condições mínimas para atender ao público. Não havia médicos, enfermeiros, técnicos e psicólogos que pudessem dar um suporte a esses pacientes. A família de um deles, que foi designado pela Justiça para ser tratado na clínica, procurou o Bnews para denunciar maus-tratos e violência sofrida.

"Ele foi para fazer tratamento, mas está sofrendo e sendo judiado nesse lugar", disse a familiar, que ainda afirmou que o rapaz tem apanhado e vive no quarto trancado. Segundo ela, a Justiça já foi procurada para que seja determinada a transferência do rapaz ao seio familiar onde possa ser tratado com carinho e tenha um tratamento digno.

Ainda conforme a denúncia, há mais de 80 Boletins de Ocorrência na 33ª Delegacia Territorial (DT) contra a clínica e o dono, mas até o momento nenhuma medida foi tomada para que essa situação seja resolvida. Fotos e vídeos obtidos pelo Bnews mostram o ambiente insalubre com colchões velhos espalhados, muita sujeira e até uma paciente que precisou raspar o cabelo em virtude da falta de higiene.

Em consulta ao sistema do Tribunal de Justiça da Bahia, o Bnews constatou que o proprietário do Centro Terapêutico Família Camaçari responde por estupro e o juiz Maurício Albagli Oliveira, da 1ª Vara das Garantias de Salvador, determinou que, no prazo de 60 dias, a Polícia Civil cumpra as diligências requisitadas pelo MP. Determinou ainda que, com ou sem resposta, dê-se vista ao Ministério Público para ciência e manifestação em dez dias.

O proprietário do Centro Terapêutico Família Camaçari também responde a outro processo por redução a condição análoga à de escravo e crimes contra a liberdade pessoal, onde o juiz Marcelo de Almeida Costa determinou que o inquérito fosse remetido à Delegacia para conclusão do inquérito policial e, posteriormente, o Ministério Público se manifeste em cinco dias. O prazo para conclusão do inquérito se esgotou no dia 10 de março.

O Bnews procurou o advogado do dono da instituição para trazer um posicionamento sobre a denúnca.  Em resposta aos nossos contatos, o advogado esclareceu que não vai se pronunciar e que qualquer manifestação acontecerá no curso do processo judicial. 

O Centro Terapêutico Família Camaçari também foi procurado pela equipe de reportagem do Bnews, mas até a publicação da matéria não tivemos um retorno. Em caso de manifestação o texto será atualizado. 

Em resposta enviada ao Bnews, o Ministério Público da Bahia (MP-BA) informou que há uma denúncia, mas o processo tramita em segredo de Justiça. 

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