Denúncia

Mães de crianças com necessidades especiais denunciam Unimed por reajustes abusivos em planos de saúde

Reprodução/Site Unimed
De acordo com as denunciantes, preços inviabilizam o acesso a tratamentos essenciais  |   Bnews - Divulgação Reprodução/Site Unimed
Gabriela Araújo

por Gabriela Araújo

gabriela.araujo@bnews.com.br

Publicado em 06/09/2024, às 23h09 - Atualizado em 11/09/2024, às 09h58



Mães de crianças com necessidades especiais denunciam a Unimed por reajustes abusivos nos planos de saúde. De acordo com elas, os novos preços inviabilizam o acesso a tratamentos essenciais e comprometem o orçamento da família.  

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Eliana da Silva, de 43 anos, é mãe de Esdras, que tem 9. A criança foi diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e com Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Ao BNews, a dona de casa relatou que, em julho deste ano, pagou uma mensalidade R$ 579,61 pelo plano. No entanto, em setembro, a entidade emitiu um boleto no valor de R$ 3.018,95.  

“Vivo de um salário mínimo do Loas [Lei Orgânica da Assistência Social] e moro de aluguel. Sou mãe solo. Como vou pagar isso, gente? É muita crueldade”, desabafou ela. 

Juliana Maria Oliveira, 48, vive uma realidade parecida. Mãe de Dandara Morena, 12, que tem paralisia cerebral, a professora contou que, em junho, pagou uma mensalidade de R$ 1.931,11 do plano. Três meses depois, ela recebeu um boleto com o valor atualizado: R$ 2.278,72. 

“Acho um absurdo, uma falta de respeito à criança. O tratamento dela é qualidade de vida, evolução. A Unimed, com essas atitudes, quer que nós, mães atípicas, desistamos do plano. Eles, na verdade, querem se livrar dos nossos filhos, por causa do tratamento, das terapias, eles alegam que são crianças de alto custo para o plano”, disse Juliana. 

A terapeuta Monique Reis, 35, mãe de Nicolas, 4, precisou buscar a Justiça, depois que uma mensalidade do plano do filho, que também tem TEA, passou de R$ 670 para R$ 1.285. Segundo ela, após um processo judicial, o valor foi fixado em R$ 735. Entretanto, atualmente está em R$ 866. “É uma luta atrás da outra. Ninguém aguenta mais”, afirmou Monique. 

Por meio de nota, a Unimed informou que “os contratos de Dandara Morena Oliveira da Silva Souza e Nicolas Reis de Menezes são administrados pela Qualicorp, enquanto o de Esdras da Silva Ferreira Lima é gerido pela Tec Saúde. Os reajustes nos planos de saúde são definidos em comum acordo entre operadora e administradora, levando em consideração alguns fatores entre eles o aumento dos custos médico-hospitalares por período contratual”.

Por fim, a instituição afirmou que o respeito e o cuidado com os beneficiários são a base de suas relações. Já a Qualicorp disse que “como administradora de benefícios, negocia o valor do reajuste solicitado pela Unimed Nacional em prol dos beneficiários e da sustentabilidade contratual e com base em critérios legais e regulatórios previstos em contrato e na regulamentação aplicável. A decisão final sobre o reajuste é de responsabilidade da operadora e cabe à administradora comunicar aos clientes o reajuste definido”.

Classificação Indicativa: Livre

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