Economia & Mercado
Publicado em 08/06/2018, às 11h58 Luiz Fernando Lima*
Representantes dos produtores rurais estão inconformados com as indefinições do governo federal quanto às soluções para as dificuldades do setor. Após a greve dos caminhoneiros, apoiada pelo segmento agropecuário quando a pauta era redução e controle dos preços dos combustíveis, o novo tabelamento do frete definido na esteira de reivindicação dos motoristas de carga provocou indignação.
No debate promovido na Bahia Farm Show em Luís Eduardo Magalhães, na tarde de quinta-feira (7), representantes dos produtores afirmaram que é preciso tomar uma decisão quanto à nova tabela, pois a medida está inviabilizando os negócios e travando o cumprimento de contratos de compra e vendas. “Os prejuízos são incalculáveis e tendem a crescer”, avaliou um dos presentes no debate.
O presidente da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), Celestino Zanella, ressaltou a necessidade de encontrar o “meio termo”. “Nós produtores temos a preocupação de que nossos custos sejam o mais eficiente possível. Devemos lembrar que uma boa parte dos caminhoneiros são pessoas que trabalham conosco, são nossos vizinhos. Extremos não levam a lugar nenhum. Esse negócio de produtor garantir frete de ida e volta não tem cabimento”, frisou Zanella.
Já Júlio Cézar Busato, presidente da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), foi mais enérgico. Ponderou, inicialmente, que é preciso esperar para saber qual será a tabela e se de fato haverá o tabelamento. “Esta proposta não tem condições. O movimento dos caminhoneiros aconteceu. Apoiamos e ai começou-se a falar de uma tabela que ninguém sabia o que era. Quando chegam os números da tabela, é impraticável. Para levar para o Porto de Salvador ou Fortaleza há aumento entre 40% e 45%. Isso sem tratar do retorno. Isso não tem a mínima condição. Nós já temos contratos firmados e precisamos cumprir. A posição é aguardar para saber o que vem desta tabela. Se não atender ao que nós podemos arcar, vamos também ingressar com o caminho da Justiça”, prometeu Busato.
A presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Luís Eduardo Magalhães, Carminha Gato Missio, defendeu o livre comércio como norte. “Estamos em uma economia aberta onde deve ser respeitada a lei da oferta e procura sem que o governo crie dificuldades. O governo precisa é enxugar seus custos. Precisamos avisar às pessoas que, em última instância, quem vai assumir o custo de disso é o consumidor final”, reclama.
Zanella, após algum tempo de debate, adotou um tom enérgico ao afirma que “político não tem competência para tabelar nada”. Ele explica que estudos econômicos apontam para uma curva de baixa de produção provocada pela alta de impostos. “A taxação de impostos neste país tem uma curva. Conforme cresce a taxação chega um determinado momento que os produtores passam a produzir menos e deixam de pagar os impostos. Com isso a arrecadação se torna menor. Existem cálculos feitos por alguns economistas para esta curva. Então, nós estamos dispostos a produzir mais até a curva de impostos, chegou nela, já não estamos mais interessados em produzir porque não vale a pena”, disse o presidente da Aiba.
O presidente Michel Temer (MDB), após publicar uma tabela no início de quinta e outra no fim do dia, reduzindo em 20% o custo do frete mínimo na tarde, revogou a tabela nesta sexta-feira (8). Os produtores acreditam que estas idas e vindas trazem insegurança jurídica, econômica e produtiva.
Há uma preocupação com a terceira semana de trabalhos comprometidos. As cargas que precisam ser entregues e os fertilizantes para o novo plantio também deixam este mercado em estado de alerta. Para além, há uma sensação de que apenas em outubro, quando acontece a eleição, é que se terá condições de planejar o próximo ano.
Assista a um trecho do debate:
*Direto de Luís Eduardo Magalhães
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