Economia & Mercado

Plataformas trocam fiador por aplicativo e permitem comprar ou alugar imóvel sem sair de casa

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Empresas prometem agilizar procedimentos e facilitar busca pelo apartamento ideal   |   Bnews - Divulgação Arquivo / Agência Brasil

Publicado em 29/02/2020, às 16h13   Folhapress



Nos últimos anos, o mercado imobiliário foi inundado por startups que se propõem a simplificar e agilizar os processos burocráticos que envolvem compra, venda ou aluguel de um imóvel.

Uma das pioneiras, a QuintoAndar, foi criada em 2013 para solucionar problemas dos fundadores, que eram engenheiros e cursavam o mesmo MBA nos Estados Unidos. André Penha não conseguia um inquilino para seu apartamento através das plataformas convencionais, enquanto Gabriel Braga tinha dificuldade para alugar um imóvel sem fiador.

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“Eles voltaram ao Brasil e criaram a QuintoAndar para resolver todos os problemas referentes à locação de imóveis, de ponta a ponta, incluindo assessoria no contrato e administração”, explica Flávia Mussalem, gerente regional da startup, que já fecha 5.000 contratos de aluguel por mês, em 30 cidades do país.

Na plataforma, o locador não precisa de fiador, seguro-fiança ou depósito antecipado, basta ter o crédito aprovado pela startup. As visitas aos imóveis podem ser feitas pessoalmente ou online e os contratos digitais são fechados diretamente com o proprietário, sem ida ao cartório.

A empresa garante ao dono do imóvel que o aluguel será depositado em dia e oferece proteção no valor de R$ 50 mil para eventuais reparos na propriedade. Quem anuncia exclusivamente na plataforma paga corretagem equivalente a um mês de aluguel e taxa de administração mensal de 6,9% do valor da locação. Para anúncios não exclusivos, a taxa de administração sobe para 8%. 

A plataforma não exige fiador, mas manteve a figura do corretor de imóveis. “Eles são peças importantes e acompanham todas as visitas, previamente agendadas. O que fazemos é eliminar a parte burocrática de sua rotina, para que ele se dedique ao atendimento, que é o mais importante”, afirma Mussalem.

Neste ano, a Quinto Andar começou a se arriscar também no segmento de compra e venda de imóveis, serviço ainda restrito à cidade de São Paulo. 

A Loft, por sua vez, nasceu em agosto de 2018 focada no mercado de compra e venda. Fundada por sete empreendedores, entre eles o húngaro Mate Pencz, atual presidente-executivo da empresa, a startup compra, reforma e revende apartamentos. 

“Eliminamos um dos principais gargalos do mercado, que é a falta de imóveis prontos para morar. Quem procura pode se mudar em até 90 dias e quem vende recebe o pagamento em poucos dias”, explica o cofundador João Vianna.

Para quem quer adquirir um imóvel novo a plataforma oferece assessoria jurídica e a garantia de que não há pendências legais. O preço é estabelecido por ferramenta própria, a Quanto Vale Meu Apartamento, que leva em conta o histórico da região e até do próprio edifício. Segundo a Loft, em média, proprietários anunciam imóveis com preços 43% acima do valor real de mercado, o que emperra muitos negócios.

O portfólio da startup inclui atualmente 300 apartamentos entre 25 e 330 metros quadrados, em 21 bairros da capital paulista. A previsão é chegar ao Rio de Janeiro e outras três capitais ainda no primeiro semestre de 2020.

A plataforma EmCasa também atua na compra e venda de imóveis, no Rio de Janeiro e em São Paulo. Ela conecta proprietários, incorporadoras e compradores.

Depois de ter seu perfil traçado, o comprador recebe sugestões de unidades compatíveis, com fotos profissionais, e pode fazer tours virtuais antes de decidir quais deseja visitar pessoalmente. O atendimento é feito por assessores especializados, que acompanham o processo do começo ao fim, incluindo a burocracia referente ao financiamento e ao contrato.

Na Homer, o foco é conectar corretores imobiliários —o profissional publica um imóvel ou o perfil de um cliente de forma gratuita e o algoritmo faz a conexão com outros corretores que tenham imóveis ou clientes compatíveis.

Dessa forma, quem quer comprar ou vender um imóvel tem acesso a um número bem maior de ofertas fazendo contato com apenas um profissional.

Em operação desde 2016, a empresa tem 42 mil corretores cadastrados, a maior parte nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro.

Pertencente à incorporadora Vitacon, a Housi oferece 15 mil apartamentos completos e mobiliados para locação, nas cidades de São Paulo e Porto Alegre, pelo tempo que o cliente quiser. Apenas 25% das unidades ficam em prédios construídos pela própria Vitacon.

O proprietário disponibiliza o imóvel e a startup se encarrega de equipá-lo e administrar o aluguel, prometendo rentabilidade até 40% maior do que no modelo convencional de locação, por mês. O preço médio é de R$ 150 por dia, tarifa que pode ser reduzida caso o locatário opte por contrato de longa duração.

Outra construtora que investiu em startup própria foi a MRV. A Luggo facilita o processo de locação de unidades em empreendimentos que a incorporadora lança exclusivamente para aluguel.

A empresa promete fechar contratos em algumas horas, tudo online e sem necessidade de fiador, com análise de crédito imediata. O cliente pode visitar o imóvel virtualmente e assinar contrato digital.

Por enquanto, há apenas dois empreendimentos no portfólio. O Luggo Cipestre, em Belo Horizonte (MG), tem 116 unidades de dois dormitórios, todas já ocupadas pelo aluguel médio de R$ 1.024, mais condomínio de R$ 200. Localizado em Curitiba (PR), o Luggo Ecoville dispõe de 88 apartamentos de dois quartos, 95% alugados por R$ 1.613 em média –o condomínio é de R$ 345.

Os próximos lançamentos serão o Luggo Lindoia, em Curitiba (PR), previsto para março, e o Luggo Cenarium, em Campinas (SP), no segundo trimestre de 2020.

Classificação Indicativa: Livre

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