Economia & Mercado
por Vagner Ferreira
Publicado em 20/10/2025, às 06h00
Localizado no Subúrbio Ferroviário de Salvador e às margens da Bahia de todos os Santos, o bairro de Paripe parece ter sido esquecido por parte dos órgãos públicos, principalmente quando comparado com as demais localidades da cidade, conforme apontam os moradores. Os principais problemas citados são ruas esburacadas, imóveis abandonados e falta de serviços básicos, como rede de esgoto e abastecimento de água.
Vale lembrar que, até o século XVIII, Paripe não era considerado Salvador devido a sua distância territorial. O bairro passou a ser integrado à cidade após a expansão da linha férrea, deixando de ser apenas um povoado de administração independente.
As moradias, por sua vez, foram impulsionadas pelas construções que estavam sendo realizadas no local. Antes do Centro Industrial de Aratu, o bairro sediou, no século XIX, a instalação das principais manufaturas baianas na área, a exemplo dos complexos fabris de cimento e mamona, segundo o portal Salvador da Bahia. Paripe cresceu em território e população, mas também em problemas.
Abandono em Paripe
Moradora de Paripe, Lorrane Leal destacou o Terminal Marítimo de São Tomé de Paripe, desativado desde 2016, como um dos principais pontos abandonados do bairro. “O espaço possui uma estrutura deteriorada, sendo uma ponte de embarque perigosa, sem manutenção adequada”, disse ela. “E é o elo entre Paripe e a Ilha de Maré”, ressaltou.
Outro problema apontado por ela foi a fábrica de cimento da região – antiga Cocisa, ou Fábrica de Cimento Aratu, localizada na região da Ponta da Sapoca, que faz divisa entre as praias de Tubarão e São Tomé de Paripe, no bairro de Paripe.
A estrutura foi construída no início do século XX e desativada na década de 80 devido à proibição da extração do calcário marinho local para fins industriais, conforme informações da página local Belezas do Subúrbio. “Já houve desabamentos, inclusive mortes, ligadas às condições ruins da estrutura”, lembra Lorrane.
Ela citou, ainda, a constante falta de água nas regiões mais afastadas do centro de Paripe, como na região de Canaã, Barro Amarelo e Gameleira. “É a pior coisa do meu bairro, a Embasa desliga a água todos os dias”, afirmou.
O problema foi comentado também pela moradora Naiane Stone. “Falta de água acontece direto em algumas partes do bairro. O pessoal sofre muito com isso, principalmente em dias quentes”, reclamou.
A equipe do BNews entrou em contato com a Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa) e foi informada que a empresa vai “verificar com a unidade operacional se existe uma ocorrência na área, como algum reparo na rede ou falta de energia em algum equipamento”. Caso não tenha ocorrência, vai solicitar as matrículas para que uma equipe possa se deslocar para inspecionar a rede no local.
Demais reclamações
Outra reclamação feita pelos moradores foi sobre as vias esburacadas no bairro. Dentre as localidades citadas, estão: Estrada da base, no Derba, Estrada da Cocisa e nas localidades mais distantes do centro de Paripe. “Quando chove então, é um caos. As ruas alagam fácil, e fica bem difícil se locomover”, descreveu Naiane.
A moradora Suzana Elen define a situação como revoltante. “Os buracos nas vias são um verdadeiro perigo para os motoristas e pedestres, causando acidentes e danos nos veículos. Além disso, o mau cheiro e a água parada dos esgotos representam um risco à saúde da população. É preciso que as autoridades tomem uma atitude imediata e resolvam esses problemas, garantindo segurança e qualidade de vida para todos os moradores e visitantes”.
Dentre as áreas esburacadas, ela cita: Rua Eduardo dotto; Rua poli; e Estrada do cemitério. “É fundamental que todos nós nos mobilizamos e exijamos ações concretas. Não podemos aceitar que a situação continue assim, colocando em risco a nossa saúde e segurança. Precisamos que as autoridades escutem nossas reivindicações e se comprometam a resolver esses problemas de uma vez por todas”, acrescentou. “Paripe merece ser cuidada e valorizada”, continuou.
De quem é a culpa?
A equipe do BNews também entrou em contato com a Secretaria Municipal de Manutenção da Cidade de Salvador (Seman) para saber sobre a situação dos buracos no bairro. Em resposta, o órgão explicou que é responsável pela manutenção do que já está estruturado e do que, em razão do desgaste, necessita de reparos.
Ainda, destacou que as ações de tapa-buracos são realizadas em ruas e avenidas que possuem estrutura — como drenagem e base —, o que não se aplica a todos os trechos da via mencionada.
“Se ainda houver condições de realizar o serviço de tapa-buracos, a atribuição é da Seman. Porém, caso seja necessário um recapeamento asfáltico, a responsabilidade passa a ser da Sucop/Seinfra”, informou, ressaltando ainda que a Seinfra (Secretaria de Infraestrutura do Estado) estava realizando uma macro intervenção na região.
O contato também foi feito com a Sucop (Superintendência de Obras Públicas), que explicou ser o órgão responsável pelo recapeamento asfáltico e que iria verificar a situação. Ainda, a Seinfra foi acionada, mas não houve retorno até o fechamento desta reportagem. O espaço segue aberto para diálogo.
Outrossim, a moradora Naiane Stone pontua o escoamento do esgoto no mar: “a praia podia ser muito mais aproveitada se tivesse mais cuidado”, diz. Por fim, ela cita a falta de sinalização no trânsito: “durante muito tempo não tinha sinal de trânsito na principal rua de entrada para o bairro, o que causava muitos acidentes. Só depois de várias ocorrências é que foram colocados, mas mesmo assim, ainda precisa de mais atenção”, apontou.
“No fim das contas, parece que Paripe vive meio no abandono. É um lugar que tem potencial, mas precisa de mais cuidado, investimento e respeito com os moradores”, concluiu Naiane.
Classificação Indicativa: Livre
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