Economia & Mercado
Quem precisou renovar contrato ou buscar um novo imóvel nos primeiros meses de 2026 já sentiu: morar de aluguel ficou mais caro e acima do ritmo da inflação.
Entre janeiro e março, os preços das locações residenciais subiram 2,45% no país, segundo o Índice FipeZap, que acompanha o mercado em 36 grandes cidades.
No mesmo intervalo, o IPCA avançou 1%, enquanto o IGP-M, índice tradicionalmente ligado aos contratos, caiu 1,05%. Na prática, o aluguel correu sozinho, descolado dos principais termômetros da economia.
Salvador acima da média
No recorte por cidade, o cenário também é desigual. Em Salvador, o metro quadrado do aluguel fechou o trimestre em R$ 52,86, acima da média nacional, ainda que longe do topo do ranking.
A liderança ficou com Barueri, na Grande São Paulo, onde o m² chegou a R$ 71,65. Logo atrás aparecem capitais como São Paulo, Belém e Recife, todas com valores acima de R$ 63.
Outras cidades também operam acima da média brasileira. É o caso de Rio de Janeiro, Maceió, São Luís, Vitória e Manaus, além da própria capital baiana.
Já no extremo oposto, três municípios registram aluguel abaixo de R$ 30 por metro quadrado: Pelotas (RS), São José do Rio Preto (SP) e Teresina (PI).
Pressão acumulada
O movimento não é pontual. Quando se olha um pouco mais para trás, o peso fica ainda mais evidente: em 12 meses, os aluguéis acumularam alta de 8,63%, mais que o dobro da inflação oficial (4,14%).
Nem todos os imóveis seguiram o mesmo ritmo. Apartamentos de três quartos puxaram a média para cima, com valorização de 9,15%. Já os de dois dormitórios subiram menos (8,31%) e seguraram um avanço ainda maior.
Hoje, o valor médio no país gira em torno de R$ 52,34 por metro quadrado. Mas esse número esconde diferenças importantes. Imóveis menores, de um quarto, concentram os preços mais altos, quase R$ 70 por m². Na outra ponta, unidades com três dormitórios ficam abaixo de R$ 45.
Onde subiu e onde caiu
Quedas foram raras no começo do ano. Só três cidades tiveram recuo nos preços: Joinville (-2,11%), São Luís (-1%) e Teresina (-0,12%). Enquanto isso, houve disparadas expressivas em outras regiões. Manaus lidera com folga, após alta de 10,12% em apenas três meses. Campo Grande (+9,12%) e Aracaju (+7,06%) vêm logo na sequência.
Investir ou não?
Para quem vê o imóvel como fonte de renda, o retorno continua existindo, mas já não bate aplicações mais conservadoras. O rendimento médio com aluguel está em 6,05% ao ano, abaixo do que se projeta para investimentos como CDBs e títulos públicos nos próximos 12 meses.
Ainda assim, há diferenças dentro do próprio mercado: imóveis pequenos seguem mais rentáveis, com retorno de 6,73% ao ano. Já unidades maiores, com quatro quartos ou mais, ficam na casa de 4,95%.
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