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Após fim da isenção para carros elétricos, CEO da BYD aponta pressão 'corporativista' contra industrialização do Nordeste

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Presidente da BYD destaca resistência histórica ao projeto no Nordeste e pressões do setor automotivo  |   Bnews - Divulgação Divulgação / BYD
Thiago Teixeira

por Thiago Teixeira

thiago.teixeira@bnews.com.br

Publicado em 05/02/2026, às 13h00 - Atualizado às 13h30



Em reação às críticas de entidades do setor automotivo, como a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), o vice-presidente sênior da Build Your Dream (BYD) no Brasil, Alexandre Baldy, afirmou que o projeto da montadora chinesa na Bahia enfrenta resistências que "refletem um corporativismo histórico concentrado no Sudeste, especialmente em São Paulo".

A declaração foi dada ao BNews durante a visita da reportagem ao complexo industrial da empresa em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador (RMS), na última terça-feira (3). Sob pressão da Anfavea, o governo federal não renovou a isenção fiscal para a importação de kits de veículos desmontados (SKD/CKD), modalidade utilizada pela BYD em sua fase inicial de operação no país.

A isenção temporária, encerrada em 31 de janeiro deste ano, havia sido concedida após pedido da montadora chinesa para reduzir o imposto de importação sobre veículos elétricos desmontados trazidos do exterior para montagem no Brasil.

Com o fim do benefício, a modalidade volta a integrar o cronograma de elevação tarifária para carros elétricos, híbridos e importados, com previsão de atingir 35% a partir de janeiro de 2027.

Parece existir um sentimento de que não se deve industrializar o Nordeste, não se deve industrializar a Bahia. Houve muita pressão, sobretudo no início, para que a gente desmobilizasse o projeto da Bahia e levasse esse investimento para São Paulo", afirmou Baldy.
Presidente da BYD
Alexandre Baldy foi entrevistado pelo BNews | Foto: Divulgação / BYD

Na visão de Head da montadora chinesa, parte da resistência enfrentada pela montadora decorre do fato de a empresa ter escolhido um caminho fora do eixo tradicional da indústria automotiva brasileira, historicamente concentrada no Sudeste.

Segundo ele, as pressões iniciais chegaram a colocar em dúvida a viabilidade do projeto baiano, mas perderam força à medida que o investimento avançou. "Cerca de 65% das autopeças fabricadas no Brasil estão no Sudeste. Quando você decide produzir no Nordeste, você vai na contramão dessa lógica", afirmou.

O Baldy ainda afirmou que a resposta às críticas passa por uma estratégia clara de verticalização da produção, modelo já adotado pela montadora na China e replicado em outros países. A ideia, explicou, é reduzir a dependência de fornecedores externos, garantir regularidade no fornecimento e ampliar a competitividade.

A BYD tem dezenas de fábricas e complexos industriais com uma capacidade de verticalização impressionante. Onde a empresa decide investir, esse viés sempre é perseguido", disse.

Dentro dessa lógica, Baldy confirmou que a companhia trabalha com a perspectiva de produzir baterias em Camaçari, ainda que o projeto esteja em fase de planejamento. Na avaliação do presidente da BYD, a verticalização — especialmente no caso das baterias — pode ter efeito direto sobre o preço final dos veículos, tornando os modelos eletrificados mais acessíveis ao consumidor brasileiro.

Bateria é um produto que a própria BYD faz. É indiscutível que existe um projeto para trazer isso para essa planta industrial [...]. Isso nos permite ser mais competitivos, ter uniformidade no fornecimento e reduzir custos ao longo da cadeia", explicou.

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