Economia & Mercado

Armarinho passa a valer bilhões de um dia para o outro e levanta suspeitas; entenda

José Cruz/Agência Brasil
Valores do armarinho estão envolvidos em fundos de investimento da gestora Reag  |   Bnews - Divulgação José Cruz/Agência Brasil
Vagner Ferreira

por Vagner Ferreira

Publicado em 18/12/2025, às 11h11



Um armarinho, com nome Global Carbon, teve um salto de R$ 100 para uma empresa avaliada em R$ 27 bilhões, de um dia para o outro, com valores envolvidos em fundos de investimento da gestora Reag, investigada pela Operação Carbono Oculto por suposta lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da capital (PCC). 

De acordo com o Tab Uol, a empresa diz estar localizada na avenida Faria Lima, em São Paulo. A informação, no entanto, não é verdadeira e levanta suspeitas sobre o que pode ter gerado a alta no valor.  

Segundo relatórios da Receita Federal, há indícios de que o fundador da Reag, João Carlos Mansur, tenha inflado deliberadamente seu patrimônio com fins comerciais. Além disso, surgiram indícios de envolvimento da família do banqueiro Daniel Vorcaro no negócio, já que o diretor da Global Carbon também administra uma empresa ligada ao pai de Vorcaro, ambas registradas no mesmo endereço.

Outra empresa com características semelhantes é a Golden Green, que também teria saltado de capital irrisório para um valuation bilionário, chegando a R$ 13,6 bilhões. Ambas recebem investimentos de ao menos 11 fundos administrados pela Reag, com muitos deles dedicados exclusivamente a essas duas companhias, por meio de uma estrutura em cadeia que dificulta a identificação dos beneficiários finais.

As duas empresas alegam atuar no mercado de créditos de carbono, mas não apresentam operações concretas. A Reag afirmou que se tratam de companhias pré-operacionais, com ativos ambientais auditados, embora não tenha apresentado as auditorias solicitadas. Já a Global Carbon declarou aguardar a regulamentação do setor para iniciar atividades e citou como base de seus créditos uma suposta fazenda de 150 mil hectares no Amazonas.

O problema é que a área mencionada corresponde, na prática, a um assentamento público do Incra, com indícios de grilagem, o que coloca em dúvida a existência dos ativos ambientais usados para justificar um valor combinado de cerca de R$ 40 bilhões entre Global Carbon e Golden Green. Especialistas e documentos indicam ainda que, mesmo se fosse uma área privada regular, ela não teria potencial para gerar créditos ambientais nesse montante.

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