Economia & Mercado

Bancários protestam contra demissões em massa no Santander: “Banco tem cofre, não tem coração”

BNews / Devid Santana
Banco é acusado de demitir e recontratar servidores como terceirizados na Bahia; saiba mais  |   Bnews - Divulgação BNews / Devid Santana
Vagner Ferreira

por Vagner Ferreira

Publicado em 01/07/2025, às 10h26 - Atualizado às 11h15



Funcionários do banco Santander protestaram na manhã desta terça-feira (1º), em frente a uma agência, no bairro Caminho das Árvores, em Salvador, contra supostas fraudes trabalhistas.

O grupo denunciou demissões em massa e a contratação de trabalhadores por empresas terceirizadas para exercer as mesmas funções, porém com salários reduzidos e sem os mesmos direitos. O diretor de Comunicação do Sindicatos dos Bancários, Adelmo Andrade, falou com exclusividade ao BNews.

“Essa manifestação é para demonstrar a indignação dos trabalhadores diante de diversas ações do banco, como a terceirização fraudulenta. Os empregados seguem nas mesmas agências, realizando o mesmo serviço, mas recebendo metade do salário anterior. Isso foge completamente da representação legítima do Sindicato dos Bancários”, declarou.

O Sindicato dos Bancários estima que cerca de 30% dos 700 trabalhadores do Santander na Bahia serão terceirizados. Segundo a entidade, o banco já teria firmado parceria com 30 empresas, fechado oito agências e demito 219 funcionários nos últimos seis anos.

“É um banco que vem fechando agências, promovendo demissões em massa, retirando portas giratórias e acabando com a segurança das unidades, onde ainda há circulação de dinheiro e caixas em funcionamento”, continuou Andrade. “A manifestação também é em nome dos clientes, porque quando questionado, o banco não dá respostas.”

O diretor da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe, José Antônio, também criticou duramente o Santander. “O banco tem se notabilizado por contratações fraudulentas, usando empresas terceirizadas criadas por ele mesmo para precarizar a mão de obra e burlar a convenção coletiva dos bancários. Nossa convenção é nacional e garante mais direitos. Com a terceirização, os trabalhadores perdem salários e enfrentam jornadas maiores que as previstas”, afirmou.

Andrade destacou que a prática faz parte de uma política nacional do Santander. “O banco quer exterminar a categoria bancária. Por isso, hoje chamamos o Santander de 'exterminador do futuro': do trabalho, das agências, dos clientes... vem eliminando qualquer benefício para os trabalhadores e para a sociedade.”

Como desdobramento da mobilização, o sindicato articula ações no Congresso Nacional, com audiência pública já convocada pela deputada federal Erika Kokay (PT). Uma nova audiência também pode ocorrer em agosto, na Assembleia Legislativa da Bahia, com o deputado estadual Bobô (PCdoB) e a presidente da Casa, Ivana Bastos (PSD).

“Não há necessidade de tamanha precarização. E a gente sabe: banco não tem coração, tem cofre. Este é um dos bancos que mais adoece seus trabalhadores. Cerca de 40% tomam remédios de tarja preta para suportar a pressão diária. Tem funcionário pedindo demissão por não aguentar mais. Já tivemos casos de suicídio na categoria bancária. É um quadro alarmante e precisamos denunciar, mobilizar e contar com o apoio da população”, finalizou Andrade.

Clique aqui e se inscreva no canal do BNews no YouTube!

Classificação Indicativa: Livre

Facebook Twitter WhatsApp Google News Bnews


Cadastre-se na Newsletter do Bnews (Beta)