Economia & Mercado
por Héber Araújo
Publicado em 23/11/2025, às 07h00
Ser empreendedor hoje é, em muitos casos, a oportunidade de deixar a vida de funcionário para se tornar o 'patrão', uma forma de crescer na vida e mudar a própria realidade. Mas essa jornada é, em grande maioria, um caminho cheio de desafios, vitórias e fracassos, especialmente se você é uma pessoa preta.
Historicamente, pessoas racializadas foram colocadas em papeis de subserviência, não como os donos das empresas, mas como os funcionários das mais baixas patentes. Esse cenário, por muitos anos, não foi diferente em Salvador, mesmo sendo a cidade com maior população negra fora da África.
Nos tempo de hoje, esse cenário mudou e o que não falta são empreendedores negros que têm revolucionado o mercado e influenciado positivamente a ecomonia da comunidade negra. Prova disso são os empreendedores Mônica Mota, Jéssica Magalhães e Jean Marcos, que têm usado toda sua expertise e ancestralidade para influenciar o black money, tornando -se referências de empreendedores negros.
Criada por uma mulher apaixonada por moda, que desde cedo percebeu como esse nicho é excludente. Guiada pela ancestralidade e influenciada pela força de mulheres negras da própria família, Mônica Mota fundou, em Salvador, a própria agência de modelos, que hoje tem renome internacional.
“Enquanto muitos diziam que uma agência do Nordeste não teria alcance global, apostei em formação de qualidade, parcerias estratégicas e no fortalecimento da minha equipe local. O resultado é que hoje temos modelos atuando em diversos territórios do mundo, além de uma presença sólida no mercado nacional e baiano”, disse.
Como toda empresária, ela passou por muitos desafios, mas como uma negra, teve que se dedicar em dobro. “Por ser empreendedor negro do Nordeste, precisa provar o triplo para ser reconhecida profissionalmente. A Model Club nasceu da resistência e do propósito”, afirmou Mônica.
Segundo a empreendedora, a diversidade da beleza negra com influências ancestrais é a principal característica de sua empresa. “Nosso casting representa a pluralidade de belezas afro-baianas e valorizamos cada tom de pele, cada traço e cada história. Incorporamos influências ancestrais na formação dos modelos, incentivando-os a compreender que suas imagens são também suas heranças e suas narrativas”, pontuou Mônica.
Para a biomédica esteta Jéssica Magalhães, o empreendedorismo nunca foi um desejo, surgiu da necessidade de se ver representada em produtos estéticos. Ainda hoje, itens para cuidados com a pele negra ainda são escassos, e foi nesse contexto que ela criou o conceito de descolonizar a estética e criar os cuidados com a pele.
“Quando comecei a estudar e falar sobre pele negra, ainda existia muito silêncio e resistência. Era como se esse tema fosse ‘de nicho’ e não uma pauta de representatividade e equidade. Tive que provar, com resultados e estudo, que a pele negra tem suas próprias necessidades fisiológicas e merece protagonismo dentro da estética”, declarou.
Segundo ela, o principal desafio de empreender cosméticos para peles negras foi justamente o racismo estrutural. Em muitas ocasiões, em muitos congressos sobre beleza, Jéssica foi rotineiramente a única mulher negra, e quando apresentava o seu produto, recebeu respostas como “muito específico” e “difícil de trabalhar”.
“Muitos dos meus pacientes vinham com traumas causados por tratamentos inadequados, produtos agressivos e mitos sobre a própria pele. O guia ‘Como Cuidar da Minha Pele Negra’ nasceu de uma necessidade real que eu percebia todos os dias nos atendimentos: a falta de informação confiável e acessível sobre cuidados com a pele negra”.
Vindo de uma família humilde e periférica, Jean Marcos sempre teve o desejo de criar soluções para mudar a vida das pessoas e foi neste contexto que ele criou a Doctor Smart, com o objetivo de humanizar e equilibrar experiência médica e tecnologia, com inspiração nas tradições africanas.
Por isso, ele afirma: “Nas tradições africanas, cuidar do corpo é também cuidar da mente, da espiritualidade e da comunidade. A Doctor Smart traduz esse conceito ao oferecer uma plataforma que integra ferramentas de gestão, relacionamento e comunicação, sem perder o foco no humano”.
E finaliza: “Para médicos negros, a Doctor Smart representa visibilidade e valorização profissional — um espaço onde podem se posicionar com autoridade e alcançar novos pacientes. Para a população negra, o impacto está na acessibilidade ao cuidado e na humanização do atendimento, rompendo barreiras”.
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