Economia & Mercado
Publicado em 10/03/2025, às 09h47 - Atualizado às 10h05 Publicado por Vagner Ferreira
Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua trimestral do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) apontam que, apesar de ter sido registrada a menor taxa de desemprego da história em 2024, o índice de pessoas com trabalho informal - ou seja, sem carteira assinada -, predomina em algumas regiões do país. Na Bahia, por exemplo, a taxa de informalidade está acima dos 50%, desde o início da atual série histórica.
De acordo com informações do jornal O Globo, mesmo com recorde de 1,8 milhão de trabalhadores via Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) em 2024, mais da metade dos 51,4% que estavam ocupados, ainda atuavam informalmente.
Os altos índices de trabalhos informais acontecem devido às desvalorizações salariais, as buscas por flexibilidade e as distâncias entre casa e empresa. A pandemia também fez com que mais pessoas recorressem aos empregos informais.
Segundo o professor emérito do Instituto de Economia (IE) da UFRJ, João Saboia, a perspectiva de renda em trabalho formal para uma pessoa com pouca escolaridade é muito baixa, fazendo com que o trabalho informal seja uma solução mais agradável. Ele ressalta, no entanto, a importância de regulamentação através da formalização de MicroEmpreendedor Individual (MEI).
“As pessoas gostam de ter a carteira assinada, mas se a renda for muito baixa, é melhor recorrer à informalidade e trabalhar por conta própria”, disse Saboia, ao Globo. “E tem essa questão de ser dono do seu nariz e não ter o empregador direto enchendo o saco. E isso não acontece só entre o pessoal que trabalha via aplicativo. O sonho de “ser empreendedor” cresceu nos últimos anos”, continuou.
O fundador do Data Favela, Renato Meirelles, ressaltou que a tendência por trabalhos informais é mais comum para moradores de bairros periféricos e destacou o fim da escala 6x1. “Não surpreende que a pesquisa do Data Favela mostre que 67% das pessoas acreditam que o fim da escala 6x1 daria mais tempo para o lazer e a família. O brasileiro da periferia quer ser dono do seu relógio, poder assistir um jogo de futebol em paz no fim de semana, levar os filhos para passear sem pressa, viver além de simplesmente trabalhar”, disse, segundo reportagem.
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