Economia & Mercado
Publicado em 09/02/2025, às 09h55 Publicado por Vagner Ferreira
As cervejas sem álcool estão em produção há quase 40 anos em todo o mundo. A empresa alemã Paulaner trouxe ao mercado a bebida sob a base de trigo em 1986. No Brasil, a Ambev lançou a Liber há quase 20 anos. No entanto, de acordo com informações do jornal O Globo, a popularização aumentou nos últimos anos, visto que o consumo teve elevação de 388% de 2018 a 2023, saindo de 133 milhões para 649 milhões de litros.
A estimativa da consultoria Euromonitor é de que o ano de 2024 tenha fechado em um volume de 752 milhões de litros, podendo alcançar 1,18 bilhão em dois anos. A alta se dá justamente pelo público mais jovem, como consequência de investimentos em marketings, que tem gerado uma variedade de rótulos, opções e gostos, a exemplo de cervejas ricas em vitamina D e a base de café.
As empresas têm se dedicado também na distribuição das bebidas para ter maior alcance. Segundo o gerente sênior de Marketing da Heineken 0.0 no Brasil, Elbert Beekman, ao Globo, o Brasil é um dos maiores consumidores da bebida zero álcool. A cervejaria espanhola, Estrella Galicia, também vê o Brasil como um dos mercados com maior potencial de crescimento. No entanto, apesar do avanço, esse consumo representa apenas 5% do mercado, ante 1% há sete anos.
A Ambev, maior cervejaria do país, responsável pela Brahma 0.0 e Budweiser Zero, também tem ampliado suas ofertas e distribuições. Duas de suas bebidas tiveram destaques em grandes eventos, como a Corona Cero, que patrocinou a Olimpíada de Paris, e a Bud sem álcool, que apoiou festivais como o Lollapalooza, em São Paulo. A empresa deve ainda desenvolver estratégias para o carnaval de Salvador, São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.
“A categoria não veio para substituir, mas para ampliar possibilidades. O consumidor deve ter liberdade para escolher o que faz mais sentido em cada ocasião”, apontou o diretor de Inovação da Ambev, Gustavo Castro.
Levantamento do Relatório Covitel de 2023 indicou redução no consumo de álcool por brasileiros de 18 a 24 anos, partindo de 10,7% para 8,1%, e de 25 a 44 anos, com diminuição de 10% para 7%.
“O jovem de hoje não vê mais o excesso de álcool como algo ‘cool’. Pelo contrário, há um novo olhar social em que o ‘bêbado da festa’ pode ser visto como alguém que está passando vergonha”, disse a pesquisadora, Gabriela Terra, segundo a reportagem.
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