Economia & Mercado
por Verônica Macedo
Publicado em 13/02/2025, às 08h07 - Atualizado às 08h13
Nesta semana, o presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, assinou a imposição de tarifas de 25% sobre todas as importações de aço e alumínio para o país, uma decisão que afeta diretamente o Brasil, um dos principais fornecedores desses produtos para os EUA.
“A postura protecionista de Trump deve tensionar as relações comerciais e diplomáticas. Embora ainda exista espaço para negociação entre os governos, temos que olhar para as motivações dessa posição americana como uma medida que pode gerar efeitos negativos não só para as empresas dos países objetos das novas tarifas, mas também para companhias dos EUA, as quais serão alvo de retaliações proporcionais às sanções dos EUA. Precisamos, pelo outro lado, considerar que a produção americana do aço tem ociosidade próxima a 27% da capacidade produtiva. E o primeiro efeito desses novos impostos será um aumento do volume interno de produção, diminuindo o percentual ocioso. Se isso provocará uma redução dos preços internos ou um aumento das margens, ainda deverá ser verificado. Mas, para alguns player será uma oportunidade de negócio”, analisa Fabio Ongaro, economista e empresário, CEO da Energy Group e vice-presidente de Finanças da Câmara Italiana do Comércio de São Paulo – Italcam.
Ele também ressalta que, do lado brasileiro, quem já tem produção estabelecida nos Estados Unidos, como a Gerdau, pode ser beneficiado nessa nova situação. “Já as empresas como CSN e Usiminas, que não estão muito focadas no mercado americano, não deverão sofrer grandes impactos. No entanto, a Arcelor Mittal, produtora de aproximadamente metade do aço nacional e detentora de uma porção relevante de exportação para o mercado americano, terá que analisar muito profundamente os efeitos dessas novas tarifas”, complementa o especialista.
Além disso, os produtores menores, que exportam para os Estados Unidos e não têm estrutura para expandir rapidamente em novos mercados, diante dessas tarifas, provavelmente sofrerão mais que os competidores maiores, na visão de Ongaro.
Ele relembra que, em 2018, Trump impôs tarifas de 25% ao aço e 10% ao alumínio, afetando exportações brasileiras. O Brasil negociou isenções e cotas para minimizar impactos. A concorrência interna aumentou com a chegada de produtos siderúrgicos redirecionados de outros mercados, pressionando preços e margens.
Para compensar, o Brasil buscou diversificação comercial e novos parceiros. Apesar das barreiras, o setor se adaptou com ajustes operacionais e estratégicos, reduzindo a dependência do mercado norte-americano ao longo dos anos.
“Acredito que as empresas brasileiras de aço e alumínio devem buscar outros mercados para minimizar a dependência dos EUA, essa é uma possibilidade viável. Podemos encontrar oportunidades nesse novo cenário global. A postura pragmática e a defesa dos interesses nacionais serão essenciais para navegar nas complexidades das relações bilaterais daqui em diante”, ressalta Ongaro.
O CEO da Energy Group elenca alguns destinos potenciais de mercado:
-Europa – A demanda por aço e alumínio é forte, especialmente na construção e indústria automotiva. No entanto, o bloco tem políticas protecionistas e pode impor barreiras comerciais.
-Ásia (China, Índia, Coreia do Sul, Japão) – A China é a maior produtora de aço, mas o Brasil pode exportar nichos específicos. Índia e Coreia do Sul são mercados em expansão com demanda crescente.
-América Latina (Argentina, México, Colômbia, Chile) – Países vizinhos importam aço brasileiro, especialmente para construção e infraestrutura.
-Oriente Médio e África – Mercados em crescimento com grande demanda por metais para infraestrutura, principalmente nos Emirados Árabes e Arábia Saudita.
-África – Com desenvolvimento industrial crescente, países como Egito e África do Sul são potenciais compradores.
Mas, reforça que, “embora seja oportuno e viável, expandir para novos mercados exige superar barreiras tarifárias, adaptar padrões regulatórios e possivelmente contar com a ajuda institucional e fiscal do governo federal de Brasília. A participação ativa no bloco BRICS e a organização da COP30 em Belém, prevista para novembro de 2025, já destacam o papel do Brasil em fóruns internacionais e sua busca por diversificação de alianças”, pontua Ongaro.
O economista enfatiza que, serão necessários diplomacia cuidadosa e estratégias adaptativas para equilibrar divergências e aproveitar oportunidades que surgirem no cenário internacional.
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