Economia & Mercado
Com cerca de 65 milhões de empresas classificadas como Pequenas e Médias (PMEs), a América Latina tem um enorme potencial de mercado a ser explorado pelas fintechs. Para se ter uma ideia, recente estudo publicado pela consultoria estratégica KoreFusion, das mais de duas mil fintechs da América Latina, somente 750 são especializadas em atender empresas de pequeno e médio porte, e destas somente 33 apresentam Plataformas Fullstack (soluções front e back end). Front end é tudo que acontece com o usuário ou cliente e back end tudo o que acontece no servidor.
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Antes de tudo, é fundamental explicar o que significam e como atuam as fintechs. Elas são empresas que introduzem inovações nos mercados financeiros por meio do uso intenso de tecnologia, com potencial para criar novos modelos de negócios. Atuam por meio de plataformas on-line e oferecem serviços digitais inovadores relacionados ao setor.
No Brasil, há várias categorias de fintechs: de crédito, de pagamento, gestão financeira, empréstimo, investimento, financiamento, seguro, negociação de dívidas, câmbio, e multisserviços.
Podem ser autorizadas a funcionar no país dois tipos de fintechs de crédito – para intermediação entre credores e devedores por meio de negociações realizadas em meio eletrônico: a Sociedade de Crédito Direto (SCD) e a Sociedade de Empréstimo entre Pessoas (SEP), cujas operações constarão do Sistema de Informações de Créditos (SCR).
De acordo com o estudo, existem os três tipos de mercados de fintechs voltados para PMEs:
Na classificação de Digitalmente Desenvolvidos figuram o Brasil e o Chile, que possuem uma regulação moderna, bancos com tecnologia aberta para oferta de soluções via API’s e grande adoção de softwares.
Desenvolvimento Digital, caso do México, mas que a regulação precisa ganhar confiança e força frente a cultura de utilização do dinheiro em espécie.
Digitalmente Emergentes, como Argentina, Colômbia e Peru, que estão avançando em termos tecnológicos, mas que possuem regulação e oferta limitada de produtos.
Outro dado interessante é que dos mais de US$13 bilhões investidos em fintechs latino-americanas, cerca de 87% estão concentrados em apenas 23. No Brasil, são mais de US$ 9 bilhões em investimentos nos Bancos Digitais e Plataformas Fullstack (Banco Inter, C6 Bank, Cora, Neon, PagBank e Stone) e Fintechs de Meios de Pagamentos (Cloudwalk, EBANX, Flash, Omie y RecargaPay). Já no México, são US$ 2 bilhões destinados a Bancos Digitais e Plataformas Fullstack (Covalto, Kapital, Konfio), Gestão Financeira Empresarial (Clara), Meios de Pagamentos (Clip) e Crédito (Mutuo e AlphaCredit, mas esta última não está mais ativa). Ainda se destacam o Uruguay, com US$ 617 milhões em Fintech Meios de Pagamento (dLocal); Chile com US$ 567 milhões em Fintech Crédito (Xepelin); Colômbia com US$ 394 milhões em Fintechs de Crédito (KLYM e Finsocial) e Equador, com US$194 milhões em Fintechs de Meios de Pagamentos (Kushki).
“Como o levantamento foi voltado para Fintechs destinadas a atender PMEs, entendo como livre interpretação que a KoreFusion permitiu-se a não citar o Nubank, que recebeu mais de US$ 1,15 bilhão em investimentos, segundo informações veiculadas na imprensa”, diz Eduardo Silva, co-founder (co-fundador) & CEO do EDAN Group.
O especialista explica que, no Brasil, muitas fintechs atuam no modelo BaaS (Banking as a Service), que permite que todas as operações de clientes sejam processadas em instituições financeiras devidamente reguladas pelo Banco Central. Neste modelo, as fintechs possuem API’s (Interface de Programação de Aplicação) conectadas com Instituições Financeiras para oferecer soluções de forma simples e eficiente, gerando mais agilidade e personalização da experiência do cliente.
Segundo o executivo, é a API que estabelece o acesso ao sistema e a comunicação entre essa empresa e a instituição bancária. Isso possibilita ofertar soluções como o mesmo padrão de segurança e as mesmas funcionalidades da provedora, além de proporcionar agilidade e flexibilidade significativas para fintechs. Dessa forma, é possível lançar rapidamente produtos e serviços financeiros sem a necessidade de infraestrutura física ou investimentos maciços em desenvolvimento.
De acordo com Silva, a plataforma de Banking as a Service é white label, o que significa que os serviços e produtos criados podem levar a marca da própria empresa, e não precisam estampar a logo da instituição financeira que a disponibiliza. Essa solução é amplamente utilizada em diversos mercados ao redor do mundo e reconhecida pelas autoridades monetárias, como é o caso do Brasil.
“As Plataformas BaaS incorporam as mais recentes tecnologias, como inteligência artificial, aprendizado de máquina e blockchain. Tal integração permite que as fintechs ofereçam serviços inovadores e competitivos, mantendo-se à frente no mercado dinâmico. Com esse modelo, fintechs e instituições financeiras atuam de maneira integrada e complementar para democratizar o acesso a produtos e soluções financeiras, inovações tecnológicas e melhor atendimento ao público em geral dentro do Sistema Financeiro Nacional e em consonância com as regras do Banco Central do Brasil. Tal democratização, permite o atendimento mais focado e especializado nas pequenas e médias empresas”, ressalta.
E continua: “Por fim, analisando as tendências de posicionamento, as fintechs que possuem como estratégia apoiar às PME’s continuarão a evoluir ao longo do tempo impulsionadas pelas necessidades de seus clientes. Algumas delas seguirão focadas em melhorar um único produto, e outras com maior oferta de produtos e serviços mais diversificados e integrados (modelo Fullstack), o que representa menor concentração de riscos, potencialização de crescimento exponencial e, portanto, tendem a receber um olhar diferenciado de investidores que possuem foco no retorno de médio e longo prazos”.
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