Economia & Mercado
por Vagner Ferreira
Publicado em 10/12/2025, às 13h54
A ciência que move o desenvolvimento de um estado não nasce apenas dos grandes centros, mas das perguntas feitas dentro das comunidades e das inquietações de jovens que buscam transformar o lugar de onde vem e vivem. Neste terreno fértil, os Institutos Federais atuam como um meio importante para impulsionar a inovação.
E a Bahia faz ciência por meio de uma rede diversa de pesquisadores, estudantes, laboratórios e iniciativas que se espalham pelo estado. "Os institutos federais desempenham um papel fundamental no desenvolvimento da ciência no estado pois oferecem uma educação de qualidade, dispõem de infraestrutura e de recursos para estimular a pesquisa e a inovação", descreveu a diretora de Popularização da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI) e Professora do Instituto Federal da Bahia (IFBA), Elisângela Reis.
Além da sua capilaridade, esses institutos costumam firmar parcerias com empresas e outras instituições, o que abre oportunidades para os alunos e pesquisadores trabalharem em projetos reais e contribuírem para o avanço científico e tecnológico dos territórios", complementou ela.
Na unidade do IFBA do campus Salvador, por exemplo, estudantes do curso de Eletrônica estão promovendo uma semana inteira – de 9 a 12 de dezembro de 2025 – de projetos advindos de estudos, protótipos e cases que estimulam a criatividade e a experimentação científica.
De pequenas iniciativas a grandes projetos
Um dos trabalhos que está sendo apresentado é sobre o desenvolvimento de um carregador sem fio didático, criado para demonstrar, na prática, como funciona a transferência de energia por campos eletromagnéticos. “O circuito utiliza a indução eletromagnética e a ressonância para transmitir energia sem fio. O lado transmissor utiliza uma configuração meia-ponte, e o receptor usa um retificador e conversor DC-DC para carregar um smartphone”, explica o estudante Pedro Medeiros.
Outro exemplo é apresentado pelo estudante Marcos Milton e trata-se de um circuito de alarme de incêndio utilizando o CI 555, que é integrado ao temporizador extremamente popular e versátil, utilizado para criar funções de temporização, pulso e oscilação. Ele detalha como os sensores podem acionar um alerta em situações de risco, com funcionamento direto e eficiente para fins educativos.
“Funciona assim: um sensor de fumaça ou temperatura detecta o início de um incêndio e envia um sinal para o 555, que então liga um alarme sonoro, como um buzzer ou sirene. O 555 age como o ‘cérebro’ do circuito, gerando o som do alarme sempre que o sensor identifica perigo. É uma montagem básica, barata e fácil de entender, usada para demonstrar como funcionam alarmes eletrônicos, mas que não substitui sistemas profissionais de segurança”, aponta Marcos.
Ainda, a estudante Hailê desenvolveu um projeto com uma pequena bobina de Tesla, utilizando materiais como fio de cobre esmaltado e tubo de PVC, para demonstrar na prática os princípios da indução eletromagnética e da geração de alta tensão. Segundo ela, a construção envolve duas partes principais: a bobina primária, feita com um fio de cobre esmaltado fino enrolado cuidadosamente ao redor de um cano de PVC, e a bobina secundária, formada por um fio mais grosso enrolado por cima.
A gente conecta as bobinas aos terminais de uma raquete elétrica que gera alta tensão e solta descargas (pequenos raios) pelas pontas, assim demonstrando o principio da indução eletromagnética e alta tensão”, disse a estudante.
Já a equipe Os Guri, composto por seis alunos, desenvolveu o projeto Sentinela, caracterizado por um mini robô humanoide capaz de girar a cabeça, localizar alvos e disparar um laser de baixa potência. O protótipo funciona tanto no modo automático quanto manual, com botões nas costas para movimento e disparo, unindo mecânica, programação e controle eletrônico.
Neste contexto, o pró-reitor de ensino do IFBA, o professor Jancarlos Lapa, destaca que as instituições desempenham um papel importante não só porque ofertam
cursos técnicos, mas também por ampliar seu leque para o ensino superior, abrangendo os níveis de mestrado e doutorado.
O IFBA é um grande vetor de produção de ciência na Bahia, porque é hoje a instituição mais capilarizada do estado, com unidades implantadas em 28 municípios, sendo 24 campi e quatro centros de referência. Ainda, atendem a mais de 30 mil estudantes, que têm acesso a programas de iniciação científica e de fomento à produção de ciência, com acesso a uma formação que integra ensino, pesquisa, inovação e extensão”, apontou.
Já a reitora e professora do IFBA, Luzia Mota, destaca que o Instituto conta com um corpo de servidores qualificados, com um olhar diferenciado para o território em que eles atuam. “Enquanto nós temos, em outras instituições, uma forma de produzir ciência ofertista, os Institutos Federais trabalham a ciência e a tecnologia baseados nos problemas reais e regionais. Além disso, tentamos encontrar soluções para esses problemas, o que é um diferencial”, destacou.
O IFBA não é o único...
Luzia destaca, ainda, que há uma relação muito estreita com todas as outras instituições de Ciência e Tecnologia do estado da Bahia. “Somos parceiros dessas
instituições e colaboramos com o sistema de ciência e tecnologia. Nós também temos atuação com os programas de pós-graduação, que são o nível mais alto de qualificação de formação humana, porque é a partir dos cursos de pós-graduação que nós formamos os pesquisadores e as pesquisadoras que vão fazer parte da comunidade científica do país e da região”, evidenciou.
A gestora afirma que os Institutos Federais têm várias formas de impulsionar o desenvolvimento regional do estado.
Ela aponta, também, a importância de frisar que os servidores estão integrados em grupos de pesquisa que, muitas vezes, são associados a outras instituições, o que, assim, constitui para "uma rede que pensa, elabora e constrói conhecimento e soluções para os problemas reais e para as demandas sociais".
Por fim, enfatiza a necessidade de mais investimentos para o setor, para as instituições, para a ciência e para os alunos: “O que efetivamente precisamos é de um olhar especial para o investimento nessas áreas de desenvolvimento científico e tecnológico do estado e foco nas nossas prioridades”, concluiu.
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