Economia & Mercado

Decisões tomadas no início do ano explicam por que mais de um milhão de brasileiros caem na malha fina

Joédson Alves/Agência Brasil
Falta de organização financeira é um dos principais fatores que levam os contribuintes a cair na malha fina  |   Bnews - Divulgação Joédson Alves/Agência Brasil
Verônica Macedo

por Verônica Macedo

veronica.macedo@bnews.com.br

Publicado em 16/01/2026, às 09h21 - Atualizado às 09h33



Todos os anos, a Receita Federal retém em malha fina mais de um milhão de declarações de Imposto de Renda. Embora o senso comum associe esse problema a tentativas de fraude, os dados mostram que a maior parte das retenções ocorre por inconsistência de informações, erros de preenchimento e ausência de comprovação documental.

O que muitos contribuintes não percebem é que esses problemas raramente surgem no momento da declaração. Eles começam muito antes — geralmente no início do ano, quando decisões financeiras são tomadas sem critério e sem acompanhamento contábil adequado.

Segundo Patrícia Bastazini, sócia da Bastazini Contabilidade, um dos erros mais comuns é tratar o Imposto de Renda como um evento isolado. “A declaração é apenas a fotografia final. O que aparece ali foi construído ao longo de doze meses de decisões financeiras, muitas vezes desorganizadas”, explica.

Entre os principais fatores que levam a inconsistências estão a mistura entre contas pessoais e empresariais, retiradas financeiras feitas sem definição clara de pró-labore ou distribuição de lucros, além da falta de controle sobre rendimentos, despesas dedutíveis e evolução patrimonial. Esses erros geram divergências entre as informações declaradas pelo contribuinte e aquelas informadas por bancos, empresas e fontes pagadoras à Receita Federal.

Outro ponto crítico é o crescimento sem estrutura. Dados do IBGE indicam que boa parte das empresas brasileiras não mantém controle financeiro mensal estruturado, o que dificulta a leitura correta de lucro, caixa e obrigações tributárias. “Quando o empresário olha apenas para o faturamento e ignora a forma como o dinheiro circula, o risco fiscal aumenta consideravelmente”, afirma Patrícia.

Para a contadora, janeiro deveria ser encarado como o mês-chave para definição de regras: separação entre pessoa física e jurídica, política de retiradas, organização documental e acompanhamento contábil contínuo. “A contabilidade preventiva reduz o risco de autuações, evita pagamento indevido de impostos e traz previsibilidade financeira. Quando esse cuidado não existe, o Imposto de Renda apenas escancara o problema”, conclui.

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