Economia & Mercado
por Leonardo Oliveira
Publicado em 29/11/2025, às 11h44
Um documento do Banco Central (BC) contribuiu para que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, conseguisse sair da prisão preventiva, após ser alvo de uma operação da Polícia Federal que envolve fraudes financeiras que teriam chegado a R$ 12 bilhões.
Na tentativa de convencer a desembargadora Solange Salgado, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), os advogados de Vorcaro anexaram aos autos do processo um documento do Banco Central que traziam detalhes de uma reunião do executivo com o diretor de fiscalização do BC, Aílton de Aquino Santos, e com o chefe do departamento de supervisão bancária, Belline Santana.
Isso ocorreu no último dia 17 de novembro, horas antes da operação da Polícia Federal que o levou à cadeia.
O documento do BC mostra que o executivo tinha informado previamente à instituição que seria realizada uma viagem para Dubai, nos Emirados Árabes, para um encontro com um grupo de investidores estrangeiros.
O ofício é assinado por Paulo Sérgio Neves de Souza, chefe-adjunto do departamento de supervisão bancária do Banco Central, que também participou da reunião.
O despacho foi utilizado pela defesa de Vorcaro para divergir do argumento de que ele tentava fugir ao viajar e que poderia deixar o país para escapar do avanço das investigações.
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O BC, porém, frisou que o diretor de fiscalização e o Departamento de Supervisão Bancária não receberam "correspondência, e-mail ou mensagem escrita" com informações sobre a "viagem para finalização das tratativas com investidores árabes". Ou seja, o que houve foi uma comunicação verbal de Vorcaro durante a videoconferência, que não foi gravada. Procurado pelo jornal O Globo, o BC afirmou que não vai se manifestar.
Daniel Vorcaro participou da reunião do BC através de uma videoconferência realizada na segunda-feira retrasada, entre 13h30 e 14h10. O executivo foi preso no mesmo dia, por volta das 22h, no aeroporto internacional de Guarulhos, em São Paulo, quando tentava embarcar em um jato particular para Malta.
A desembargadora citou o ofício do BC na decisão que substituiu a prisão de Vorcaro e dos outros quatro suspeitos para medidas cautelares, como tornozeleira eletrônica, retenção do passaporte e proibição de manter contato com investigados.
“Os impetrantes anexaram prova demonstrando que o paciente comunicou previamente ao Banco Central sua viagem internacional com destino a Dubai, tendo informado formalmente o motivo da viagem (venda de instituição financeira) durante reunião oficial realizada na mesma data do embarque", observou a desembargadora.
“Assim, o risco residual de evasão do distrito da culpa mostra-se controlável por meio de medida menos gravosa, consistente na entrega e retenção do(s) passaporte(s), revelando-se esta providência apta e proporcional."
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