Economia & Mercado

Entenda como a IA está desbancando os profissionais de TI e computação

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A disseminação de ferramentas de IA tem feito crescer o desemprego entre os formados em Ciência da computação e Engenharia de software  |   Bnews - Divulgação Reprodução / Freepik
Leonardo Oliveira

por Leonardo Oliveira

Publicado em 11/08/2025, às 12h31 - Atualizado às 14h17



O desemprego tem crescido entre formados em Ciência da Computação e Engenharia de Software, devido à disseminação de ferramentas de inteligência artificial (IA). É o caso de Manasi Mishra, de 21 anos, que, após um ano buscando vagas e estágios na área de tecnologia, se formou na Universidade Purdue, em maio, sem receber nenhuma oferta de trabalho.

“Acabei de me formar em Ciência da Computação e a única empresa que me chamou para uma entrevista foi o Chipotle (rede de comida mexicana)”, contou Mishra em um vídeo do tipo “get ready with me” no TikTok, publicado neste verão, que já acumula mais de 147 mil visualizações.

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Desde o começo dos anos 2010, uma multidão de bilionários, executivos de tecnologia e até presidentes dos Estados Unidos incentivam jovens a aprender programação, argumentando que as habilidades tecnológicas aumentariam as chances de emprego e impulsionariam a economia.

As empresas de tecnologia prometiam altos salários e todo tipo de benefícios para formados em Ciência da Computação. No entanto, a disseminação de ferramentas de programação com inteligência artificial, que podem gerar rapidamente milhares de linhas de código de computador, combinada com demissões em empresas como Amazon, Intel, Meta e Microsoft, têm reduzido as perspectivas em um campo promovido por anos como uma oportunidade única de carreira. 

Essa reviravolta tem frustrado os sonhos de emprego de muitos recém-formados que buscam outras áreas de trabalho. Entre os recém-formados na faculdade, com idades entre 22 e 27 anos, os estudantes de Ciência da Computação e Engenharia da Computação enfrentam algumas das maiores taxas de desemprego, 6,1% e 7,5%, respectivamente, segundo um relatório do Federal Reserve Bank de Nova York.

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“Estou muito preocupado. Estudantes de Ciência da Computação que se formaram há três ou quatro anos estariam disputando ofertas das principais empresas e, agora, esse mesmo aluno está com dificuldades para conseguir um emprego em qualquer lugar”, disse Jeff Forbes, ex-diretor de programas de educação e desenvolvimento de força de trabalho em ciência da computação na National Science Foundation ao New York Times.

Pressão

Os recém-formados em computação sentem-se particularmente pressionados, pois empresas de tecnologia vêm adotando assistentes de programação com inteligência artificial, que reduzem a necessidade de contratar engenheiros de software juniores.

A tendência é visível no centro de São Francisco, onde outdoors de ferramentas de IA como o CodeRabbit prometem apurar códigos mais rápido e com mais precisão do que humanos.

“O que é lamentável agora, especialmente para recém-formados, é que as posições com maior probabilidade de serem automatizadas são justamente as vagas de nível inicial que eles estariam buscando” disse Matthew Martin, economista sênior nos EUA da Oxford Economics, empresa de previsões econômicas ao NY Times.

Alguns formados disseram sentir-se presos em um “ciclo vicioso” provocado pela IA. Muitos candidatos agora usam ferramentas, como o Simplify, que permite se candidatar rapidamente a diversas oportunidades, adaptando currículos a vagas específicas e preenchendo automaticamente formulários de inscrição. 

Ao mesmo tempo, empresas sobrecarregadas de candidaturas utilizam os sistemas de IA para fazer a análise de currículos e rejeitar candidatos de forma automática. 

“Algumas empresas estão usando IA para filtrar candidatos e eliminando o aspecto humano. É difícil se manter motivado quando você sente que um algoritmo determina se você consegue pagar suas contas”, disse Audrey Roller, de 22 anos, recém-formada em ciência de dados pela Clark University, em Worcester, Massachusetts.

A jovem recebeu um e-mail de rejeição três minutos depois de se candidatar a uma vaga.

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