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Entenda PIB da China e sua relação com crescimento econômico brasileiro, segundo especialista

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Professor de Ciências Econômicas diz que PIB chinês é força motriz para desenvolvimento nacional  |   Bnews - Divulgação Divulgação / Freepik
Verônica Macedo

por Verônica Macedo

veronica.macedo@bnews.com.br

Publicado em 22/10/2024, às 08h13



O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da China tem sido uma força motriz não apenas para o seu próprio desenvolvimento, mas também para a economia global, incluindo o Brasil. Em 2023, o PIB chinês cresceu 5,2%, superando a meta de 5% estipulada no início do ano. Esse desempenho reflete o papel central da China no comércio internacional, posicionando-se como o maior parceiro comercial de mais de 140 países.

É o que explica Hugo Garbe, professor de Ciências Econômicas do Centro de Ciências Sociais e Aplicadas (CCSA) da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM). “A relação econômica entre Brasil e China é robusta, especialmente no setor de commodities. O Brasil exporta grandes volumes de soja, minério de ferro, petróleo e carnes para o mercado chinês”, diz.

Segundo ele, a demanda chinesa por esses produtos tem sido um dos principais motores do crescimento das exportações brasileiras nos últimos anos. Em 2023, as exportações brasileiras para a China ultrapassaram a marca de US$ 100 bilhões, consolidando a China como o principal destino das exportações brasileiras desde 2009. “Esse fluxo comercial é vital para manter o superávit na balança comercial brasileira e impulsionar setores-chave da economia, como o agronegócio e a mineração”, pontua Garbe.

Para o especialista na área, a interdependência entre as duas economias também é refletida nos investimentos. Empresas chinesas têm ampliado suas operações no Brasil, especialmente em infraestrutura e agronegócio, setores em que o desenvolvimento de tecnologias, como a agricultura inteligente, se torna cada vez mais presente.

De acordo com o professor, o aumento da participação da China no setor agrícola brasileiro ajuda a modernizar o campo, mas também gera desafios, como a necessidade de maior inovação para manter a competitividade.

“Para o Brasil, o crescimento chinês traz não só oportunidades, mas alguns desafios. Uma economia chinesa robusta significa maior demanda por commodities, gerando receitas expressivas para exportadores brasileiros. No entanto, a dependência da China como destino principal de exportações também cria vulnerabilidades. Qualquer desaceleração ou mudança nas prioridades econômicas chinesas, como a transição para uma economia mais voltada ao consumo interno, pode impactar diretamente a demanda por produtos brasileiros”, salienta Garbe.

E continua: “Além disso, o impacto da China no Brasil não se limita ao comércio de bens. Com o crescimento do mercado consumidor chinês — já com mais de 400 milhões de pessoas na faixa de renda média — novas oportunidades de exportação de produtos mais elaborados podem surgir para o Brasil. Produtos brasileiros de valor agregado, como café premium e alimentos processados, já começam a encontrar espaço no mercado chinês. Um exemplo disso é o crescimento das exportações de café brasileiro para redes de cafeterias na China, como a Luckin Coffee”.

O professor ainda destaca que, “portanto, embora o Brasil se beneficie enormemente do crescimento chinês, há uma clara necessidade de diversificação de sua pauta exportadora e de reforço das relações comerciais com outros países para mitigar os riscos associados a uma possível desaceleração do gigante asiático”.

E finaliza: “Em longo prazo, investir em inovação e buscar novas frentes de cooperação com a China, em setores como tecnologia e energia renovável, pode ser uma estratégia eficaz para maximizar os benefícios dessa parceria e proteger a economia brasileira de eventuais flutuações globais”.

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