Economia & Mercado

Entenda por que as novas gerações são avessas à Consolidação das Leis do Trabalho (CLT)

Marcello Casal jr/Agência Brasil
Discussões sobre CLT por jovens e até crianças tem crescido nas redes sociais; saiba mais  |   Bnews - Divulgação Marcello Casal jr/Agência Brasil
Vagner Ferreira

por Vagner Ferreira

Publicado em 24/05/2025, às 11h57



Nos últimos dias, tem crescido nas redes sociais, discussões sobre a aversão das gerações mais jovens - e até crianças - ao modelo empregatício via Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), conforme informações do portal g1. Isso porque, a modalidade virou sinônimo de precariedade, com o ‘colaborador’ acordando muito cedo, enfrentando transportes públicos cheios e ouvindo bronca de chefes por longas cargas horárias e um salários muito abaixo das expectativas. 

Um vídeo da influenciadora Fabiana Sobrinho, de Mogi das Cruzes (SP), viralizou após ela contar a opinião da filha de 12 anos sobre o assunto. “Ela dizia: ‘Vou estudar para não virar um CLT.’ Aí eu comecei a questionar e repreender, porque essa fala não fazia sentido. Perguntei o que ela achava que era ser CLT e por que via isso como algo ruim. Conversei com outros adolescentes e todos têm o mesmo pensamento: de que ser CLT é ser fracassado”, disse, segundo a reportagem. 

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Outros vídeos virais também tem ganhado repercussão na internet. O TikTok, Erick Chaves, de 19 anos, conhecido como ‘Kinho’, disse que tem medo de ser CLT. “Tive a sorte de começar minha carreira na internet. Tenho pavor de ser CLT hoje em dia. Cresci vendo meus pais querendo só descansar no fim de semana porque estavam cansados da semana de trabalho, isso criou um bloqueio”. 

Já o jovem Alejandro Ferreira, de 17, que pretende ensinar a geração Z a faturar com o marketing digital, disse que precisou até sair da escola para se dedicar ao universo da internet. “O colegial não estava sendo muito compatível com a minha agenda”, contou ao g1. 

No entanto, além de não ser garantia de sucesso e dinheiro, crescer na internet não é uma tarefa fácil. Uma pesquisa da University College Dublin (UCD) apontou que, em quatro meses, apenas 1,4% das 40 mil perfis iniciantes, alcançaram 5 mil seguidores. 

O professor do instituto de história da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Paulo Fontes, ressalta que a culpa da rotina exaustiva de trabalho não é culpa da CLT. “É ilusão achar que, ao atacar a CLT, você vai conquistar direitos. É justamente o contrário”, disse na reportagem. 

A antropóloga Rosana Pinheiro-Machado ressalta a ideia da ilusão da troca do CLT pela promessa de riqueza do mundo digital. “O que nós descobrimos com os aspirantes é que, para muitos, trabalhar com internet como um complemento de renda pode ser uma boa alternativa, mas enriquecer com o digital é muito difícil. A maioria não cresce”, explicou ao g1. 

Bruna Neres, de 26 anos, por exemplo, que trabalhava como CLT, decidiu sair para abrir um negócio de extensão de cílios. Ela trocou os benefícios garantidos por lei da modalidade tradicional, pela flexibilidade do empreendedorismo. 

Por outro lado, o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre) indicou em 2024 que 67,7% das pessoas que trabalhavam por conta própria queriam possuir carteira de trabalho assinada e 45% deles era autônomos por necessidade, e não por opção.

A antropóloga e pesquisadora, Rosana Pinheiro-Machado, acredita que a luta deve ser por melhorias no direito do CLT. “Nós temos que passar a mensagem de que trabalhar vale a pena, fazer faculdade vale a pena, terminar o Ensino Médio vale a pena, que é isso que os países desenvolvidos e mais felizes do mundo fazem. Mas estamos indo para o caminho de jogar tudo isso pelo ralo”, disse na reportagem.

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