Economia & Mercado

Envelhecimento acelerado da população gera preocupação com previdência no Brasil; aponta estudo

Marcelo Camargo / Agência Brasil
Políticas públicas são necessárias para que haja empregabilidade e capacitação para indivíduos; aponta especialista  |   Bnews - Divulgação Marcelo Camargo / Agência Brasil
Verônica Macedo

por Verônica Macedo

veronica.macedo@bnews.com.br

Publicado em 26/08/2024, às 09h22 - Atualizado às 09h25



O Brasil está envelhecendo rapidamente. De acordo com as Projeções de População 2024, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Pesquisa (IBGE), conforme os dados do Censo 2022, nos últimos 23 anos – ou seja, de 2000 a 2023 –  a proporção de idosos na população brasileira quase duplicou, subindo de 8,7% para 15,6%. Estima-se que até 2070 o número de brasileiros chegará a 199.228.708, sendo 37.8% habitantes idosos. Com isso, surge a preocupação quanto à previdência desses indivíduos.

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Pensando nessas questões, quais serão as medidas que o governo e a sociedade deverão encetar para balizar a questão em 2042, data em que haverá um número inédito de pessoas que passam a ter mais de 60 anos? Políticas públicas são necessárias para lidar com a situação, afirmam os especialistas. Em menos de 20 anos, o Brasil atingirá um pico populacional de 220.425.289 milhões de pessoas, antes de abaixar novamente nas próximas duas décadas, segundo as pesquisas globais.

Primeiro, é necessário que haja empregabilidade para essa mão de obra, que tende a ficar ociosa devido à idade. Outro aspecto a ser abordado é que deverá haver também a capacitação desse grupo para que não falte contingente laboral no futuro. 

Estima-se que 86% da população acima dos 60 anos afirma já ter enfrentado algum tipo de preconceito em relação ao mercado de trabalho, independentemente de suas habilidades e experiências. É o que aponta um estudo realizado pelo Grupo Croma, com base em dados da Oldiversity®

“Em termos de capacitação, os gestores precisam ficar atentos quanto aos cursos profissionalizantes do colaborador, fora os idiomas falados e interesses gerais dos mesmos. O mercado está em constante mudança. Buscar por colaboradores com sede de conhecimento é essencial para a prospecção interna de uma companhia, independentemente da idade. Por mais que os certificados/formações sejam importantes para o currículo, a empresa é a maior beneficiada. Como, você me pergunta? Ficar atento ao mercado auxilia em diferentes canais, sendo no público-alvo, nos canais de venda e na tecnologia implementada. Colaboradores como esses são de fato a melhor aquisição para uma empresa”, afirma Alex Araújo, gestor e CEO da 4Life Prime.

“Aventa-se a hipótese de haver uma outra reforma da previdência, depois que o Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, voltou a defender um acordo com empresas e municípios sobre a desoneração da folha de pagamento, em abril. Na ocasião, ele mencionou o julgamento em curso do STF (Supremo Tribunal Federal) e alertou sobre a pressão sobre a Previdência”, diz o executivo. 

Para Fernando Lamounier, educador financeiro e diretor da Multimarcas Consórcios, isso pode significar um desafio para estas gerações nas próximas décadas: “As dificuldades para a aposentadoria no país se tornaram mais severas. Antes era possível se aposentar apenas com tempo de contribuição do INSS.

Entretanto, agora, após a mudança na previdência em 2019, só é possível aposentar quem se enquadra em algumas regras: homens com 65 anos e 20 anos de contribuição para o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), e mulheres com 62 e, ao menos, 15 anos de contribuição. E a aposentadoria por tempo de investimento não é mais prevista”. 

A pesquisa anual da Global Pension Report, produzida pela Allianz, revelou que o Brasil tem uma das piores aposentadorias do mundo. Em 2023, entre 75 países analisados no estudo, o Brasil ficou na posição 65º. O principal motivo é o crescimento da população, que futuramente não será suficiente para atender quem está envelhecendo.

Isso ocorre pelo fato de a força de trabalho do país ser a principal fonte pagante da pensão dos atuais aposentados. Uma das medidas para reverter essa situação é alterar a lei e gerar regulamentações que preservem direitos básicos a idosos. A nova reforma pode explorar alguns pontos que mude as circunstâncias dessa população no país. 

O estudo “Evolução e projeção de longo prazo de contribuintes e beneficiários e implicações para o financiamento social”, publicado pelo IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), apurou que até 2060 haverá 66,4 milhões de beneficiários do INSS, da pensão por morte ou de Benefícios de Prestação Continuada previstos na Lei Orgânica da Assistência Social (BPC/LOAS).  

Em 2060, haverá apenas 57,2 milhões de contribuintes – em 2022 havia 61,8 milhões. O valor é menor do que o atual. Estima-se que a proporção de 1,97 contribuinte para cada beneficiário, conforme dados de 2022, também diminuiria para 0,86, na data futura. Isso quer dizer que haverá uma diferença entre os dois (beneficiários e contribuintes), havendo mais daqueles que destes, mantendo-se os demais fatores constantes. 

Outro problema do presente que pode afetar o futuro é o da precarização do trabalho que resultou em um número de idosos endividados no Brasil. Dados levantados pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC), revelaram que existem 62 milhões de endividados idosos no país; 30 milhões de superendividados.

Isso mostra que muitas pessoas que pertencem a esse grupo têm de recorrer à informalidade para sobreviver. Segundo levantamento da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), do segundo trimestre de 2023, 4,094 milhões de trabalhadores com idade acima de 60 anos eram autônomos. 

Lamounier observa que há medidas que contribuem para que a terceira idade consiga subsistir a essa financeirização da velhice: “Infelizmente, tem sido cada vez mais comum encontrar idosos que tenham se endividado, no país. Neste momento, é necessário contar com algum respaldo. Exemplo disso é a legislação do superendividamento que previne e trata o endividamento exagerado. Possibilita que devedor e credor acertem as contas conjuntamente, o que aumenta as chances de um acordo justo. Garante-se também que os idosos tenham um valor mínimo mensal que é destinado para a sua sobrevivência, mesmo depois das negociações das dívidas. Esse valor corresponde a 25% do salário mínimo, atualmente R$303”, finaliza. 

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