Economia & Mercado

Extratos indicam repasses ligados a Daniel Vorcaro para aquisição de participação de Dias Toffoli em resort

Coutinho/SCO/STF
Cruzamento de documentos mostra a linha do tempo das transações entre fundos ligados a Vorcaro e a empresa de Toffoli  |   Bnews - Divulgação Coutinho/SCO/STF
Bruna Rocha

por Bruna Rocha

Publicado em 15/02/2026, às 13h52



Extratos bancários obtidos pelo Estadão apontam valores relacionados ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro na operação de compra da participação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli no resort Tayayá, no Paraná, negócio estimado em cerca de R$ 35 milhões.

Os repasses teriam sido realizados por meio do pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, em movimentações paralelas à estruturação de fundos de investimento e aos elementos investigados pela Polícia Federal (PF), que identificou vínculos entre os envolvidos nas etapas finais da apuração.

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O cruzamento de mensagens e documentos permitiu traçar uma linha do tempo das transações financeiras entre fundos ligados a Vorcaro e a empresa associada ao ministro. Toffoli já afirmou anteriormente que não recebeu pagamentos do ex-banqueiro nem mantém relação de amizade com ele.

Segundo a reportagem, Zettel era o único cotista do fundo Leal, administrado pela Reag Investimentos, também investigada pela PF. Leal, por sua vez, era o único cotista do fundo Arleen, utilizado para comprar a participação da família Toffoli no empreendimento.

Em setembro de 2021, Arleen tornou-se sócio das empresas responsáveis pelo Tayayá, em Ribeirão Claro (PR), ao adquirir metade de uma participação avaliada em R$ 6,6 milhões pertencentes à empresa do ministro. O valor de R$ 3,3 milhões correspondia apenas ao capital social, parcela simbólica do negócio, e não ao montante total envolvido. O fundo também adquiriu fatia de um empreendimento estimado em cerca de R$ 200 milhões.

Nos dias 28 de outubro e 3 de novembro de 2021, Zettel realizou aportes de R$ 15 milhões e R$ 5 milhões no fundo Leal. Nas mesmas datas, Leal aplicou R$ 14.810.038,35 e R$ 4.936.679,35 no FIP Arleen. Apesar de ter declarado ao Estadão que deixou o fundo em 2022, documentos e mensagens indicam que Zettel permaneceu como cotista e manteve aportes no resort.

Conversas de maio de 2024 mostram Vorcaro cobrando repasses ao empreendimento e o cunhado tratando de prazos para o aporte. Em uma das mensagens, Zettel apresentou uma lista de pagamentos com a indicação “Tayayá - 15”, interpretada pela PF como repasse de R$ 15 milhões, autorizada por Vorcaro. Meses depois, o banqueiro voltou a cobrar a transferência, Zettel disse ter enviado recursos a um intermediário e, posteriormente, afirmou que estavam no fundo proprietário do resort, prometendo transferir as cotas.

Extratos indicam ainda que Zettel aportou R$ 15 milhões no fundo Leal em julho de 2024, mas o fundo Arleen só recebeu cerca de R$ 14,5 milhões em fevereiro de 2025.

Poucos dias depois, a empresa de Toffoli vendeu sua participação restante no empreendimento à PHB Holding, ligada a um advogado que já prestou serviços à JBS. Após a divulgação de relatório da PF com menções ao ministro em conversas no celular de Vorcaro, Toffoli deixou a relatória do caso Master no STF, que foi redistribuído ao ministro André Mendonça.

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