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Fies Social tem gerado críticas por parte dos estudantes ‘beneficiados’; entenda

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Estudantes têm que pagar coparticipação com valores 'expressivos'; saiba mais  |   Bnews - Divulgação Divulgação / Freepik

Publicado em 06/02/2025, às 09h31 - Atualizado às 10h46   Publicado por Vagner Ferreira



Com a promessa de ser direcionado a um público que ganha até 0,5 salário mínimo - ou seja, cerca de R$ 759 -, o programa Fies Social tem gerado críticas por parte dos estudantes ‘beneficiados’, sobretudo os de medicina, conforme informações do g1. A proposta tinha o intuito de servir como um empréstimo, em que o governo ficaria responsável por cerca de 100% dos custos durante a graduação e o estudante pagaria as mensalidades após a conclusão, já estando empregado. 

No entanto, segundo a reportagem, o governo arca apenas com R$ 10 mil mensais, visto que a maioria dos cursos de medicina ultrapassam esse valor. Dessa forma, o restante tem que ser pago pelo aluno. 

A estudante de medicina, Ana Silva, de 24 anos, que utiliza do Fies Social, precisou trancar a faculdade por não ter condições para os pagamentos mensais, como explicou na reportagem do g1. Segundo ela, a mensalidade custava R$ 12.553,60, e, assim, entre  julho e dezembro de 2024, ela teve que arcar com R$ 2.553,60, visto que a renda familiar foi comprovada como inferior a R$ 800. Para 2025, o valor sofreu reajuste, chegando a R$ 14.037. 

“Como podem chamar esse programa de ‘social’, se é para pessoas que, em situação de vulnerabilidade, vão assumir uma dívida e ainda pagar um valor alto todo mês?”, disse ao g1. 

O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), associado ao Ministério da Educação (MEC), informou que o valor é visto como necessário para evitar o endividamento do estudante, mas que o Comitê Gestor do Fies (CG-Fies) está estudando um possível aumento do benefício.

Vale destacar que, diferente do Prouni, que oferta bolsas de estudos em faculdades privadas, e do Sisu, que concede vagas para instituições públicas, o Fies Social não possui auxílio moradia, e, assim, além dos gastos com coparticipação, muitos estudantes, que precisam mudar de cidades, necessitam arcar também com demais custos adicionais. 

A modalidade tradicional do Fundo de Financiamento Estudantil (FIES) contempla pessoas com renda familiar per capita de até 3 salários mínimos (R$ 4.554). O estudante pode ter cerca de 90% financiado, pagando o restante em coparticipação. 

Dentre as principais alternativas apontadas pelo estudantes, segundo a reportagem, estão: reajuste do ‘teto’ do financiamento; colocar um valor máximo na coparticipação cobrada dos alunos de baixa renda; elaborar contrapartidas para que as universidades concedessem bolsas parciais equivalentes à coparticipação; criar planos de apoio para a permanência dos alunos; associar o financiamento a programas de residência médica, para o abatimento de parte da dívida por meio do trabalho.

“O Fies é um programa importante para o acesso de pessoas de baixa renda ao ensino superior, mas gera um endividamento delas”, afirma. “Eu defenderia um maior investimento nas instituições públicas”, contou ao g1 a professora do curso de administração pública e social da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Camila Furlan da Costa.

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