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Fundo ligado a Vorcaro e cunhado despenca quase R$ 1 bilhão e gera prejuízo ao ex-banqueiro

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Patrimônio do fundo Termópilas despenca de quase R$ 1 bilhão para valor negativo, em meio a investigações sobre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e operações da Super Empreendimentos  |   Bnews - Divulgação Divulgação
Redação Bnews

por Redação Bnews

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Publicado em 01/02/2026, às 08h36



O fundo Termópilas, administrado pela Reag e com ligações aos negócios do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, teve seu patrimônio líquido praticamente zerado, com queda de quase R$ 1 bilhão, segundo dados recentes divulgados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) neste mês. As informações são do jornal Folha de S. Paulo.

De acordo com os registros da CVM, o patrimônio do Termópilas caiu de R$ 933,8 milhões no período entre maio e agosto de 2025 para R$ 11,1 milhões negativos entre setembro e dezembro do mesmo ano. O fundo realizou uma assembleia em 16 de novembro de 2025 — um domingo, um dia antes da prisão de Vorcaro — para deliberar sobre questões relacionadas à retirada de recursos, segundo ata arquivada no site da CVM.

Dados da Junta Comercial de São Paulo indicam que o Termópilas era o principal acionista da Super Empreendimentos e Participações SA, empresa com capital superior a R$ 2,5 bilhões. O pastor e cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, foi diretor da Super entre 2021 e 2024, conforme informações divulgadas à Folha de S. Paulo pela defesa do ex-banqueiro. Zettel foi alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero da Polícia Federal, preso ao tentar viajar para Dubai e liberado horas depois.

Atualmente, a sócia Ana Cláudia Queiroz de Paiva permanece como diretora da Super. Segundo reportagem da Folha, a empresa integra uma lista de mais de 30 companhias investigadas por suspeita de empréstimos fraudulentos do Master, que teriam alimentado fundos relacionados ao banco para beneficiar laranjas e retroalimentar o próprio Master.

Documentos obtidos pela Folha apontam que, em maio de 2024, o fundo Astralo 95, cotista do Termópilas, resgatou cerca de R$ 800 milhões em CDBs do Master e transferiu R$ 650 milhões ao Termópilas, que enviou o valor à Super em conta mantida no banco.

A Super também ganhou destaque na crise do Master por ser dona da casa de R$ 36 milhões usada por Vorcaro para receber políticos em Brasília e, em 2024, doar um apartamento de R$ 4,4 milhões a uma mulher citada em investigação policial contra tráfico internacional de drogas em 2022, conforme reportado pela Folha de S. Paulo.

Em dezembro de 2025, a Super mudou sua sede para duas salas compartilhadas com a Next Auditores, empresa responsável por relatórios de auditoria de fundos ligados à Reag, como o Arleen e o Hans 95, também envolvidos em investigações sobre a rede de fraudes do Master. A Next Auditores afirmou à reportagem que o compartilhamento do endereço se deve exclusivamente a serviços de coworking e que não há vínculo societário com a Super.

Especialistas ouvidos pela Folha destacam que é incomum um fundo de participação societária apresentar patrimônio líquido negativo. Segundo Carlos Portugal Gouvêa, professor da USP, tal situação só ocorre se os ativos restantes forem quase nulos e os quotistas realizarem resgates substanciais, deixando obrigações superiores aos ativos.

Os dados mais recentes indicam que o Termópilas passou a ter dois fundos como cotistas, mas não é possível identificar os beneficiários finais. A assembleia de 16 de novembro alterou regras do regulamento do fundo, incluindo detalhes sobre amortização e resgate total, justamente antes da prisão de Vorcaro em 17 de novembro de 2025.

A Folha de S. Paulo procurou Zettel, Ana Cláudia Queiroz de Paiva e a Reag, mas não obteve retorno. A CVM informou que não comenta casos específicos, mas que administradores de fundos que descumprem exigências podem ser multados ou processados.

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