Economia & Mercado

Gigante dos automóveis ameaça fechar fábricas e pode encerrar produção de carros populares no Brasil

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Dona da Fiat, Jeep, Peugeot e Ram, cita custos elevados e concorrência de importados como desafios e pode encerrar produção na América Latina  |   Bnews - Divulgação Reprodução/Redes Sociais/Unsplash
Antonio Dilson Neto

por Antonio Dilson Neto

Publicado em 20/10/2026, às 16h41



A Stellantis, uma das maiores fabricantes de automóveis do mundo, admitiu a possibilidade de fechar uma ou até duas fábricas na Argentina. O alerta foi feito por Herlander Zola, presidente da companhia na América do Sul, ao comentar as dificuldades para manter a competitividade da produção no país vizinho.

Em conversa com jornalistas, o executivo afirmou que os custos industriais argentinos estão pressionando as operações, especialmente diante da abertura do mercado para veículos importados.

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Segundo ele, o custo da mão de obra pode chegar ao dobro do registrado no Brasil, enquanto boa parte das peças utilizadas na fabricação precisa vir do mercado brasileiro.

A Argentina nos deixou de fora da disputa, e tudo pode acontecer”, afirmou Zola, ao site argentino Autoblog.

O executivo mencionou tanto a possibilidade de manter as unidades em funcionamento quanto a de encerrar as atividades de uma ou das duas fábricas.

Apesar da declaração, a Stellantis esclareceu posteriormente à Bloomberg Línea que não tem planos de fechar as instalações argentinas. A empresa afirmou que Zola citou cenários possíveis, sem anunciar uma decisão sobre o futuro das unidades.

Fiat Cronos, Peugeot 208 e outros modelos 

A Stellantis mantém duas fábricas na Argentina com impacto direto no mercado automotivo brasileiro. A unidade de El Palomar, na região de Buenos Aires, produz o Peugeot 208 e o SUV Peugeot 2008.

Já a fábrica de Ferreyra, na província de Córdoba, é responsável pela produção do Fiat Cronos e das picapes Fiat Titano e Ram Dakota. A unidade tem passado por ajustes no ritmo de fabricação diante de vendas abaixo das expectativas, sobretudo nos mercados de exportação.

A previsão inicial da empresa era produzir 27 mil unidades das picapes Titano e Dakota em 2026. O planejamento, porém, foi reduzido para aproximadamente 16,5 mil veículos, uma queda de cerca de 40%. A linha também passou a operar em apenas um turno para adequar a produção à demanda.

Nova fábrica

Mesmo diante das dificuldades de competitividade, a companhia mantém investimentos na Argentina. Em Córdoba, a empresa prepara a inauguração de uma fábrica de motores prevista para 25 de novembro.

A unidade foi planejada para produzir o motor 2.2 turbodiesel Multijet, utilizado em modelos como Fiat Titano, Ram Dakota, Ram Rampage e Jeep Commander.

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