Economia & Mercado
por Lucas Pacheco
Publicado em 07/12/2024, às 08h00 - Atualizado às 08h07
O banco Itaú publicou, na madrugada deste sábado (07), uma ata de assembleia geral extraordinária do Itaú Unibanco S.A., por meio da qual a instituição bancária afirma que seu ex-diretor financeiro, Alexsandro Broedel, desrespeitou políticas internas e a regulamentação, após constatarem que ele agiu em “grave conflito de interesses” e em benefício próprio nas contratações de pareceres técnicos. O documento, assinado pelos diretores José Virgilio Vita Neto e Álvaro Felipe Rizzi Rodrigues, foi publicado no jornal O Estado de S.Paulo.
De acordo com o Itaú, Broedel aprovou pagamentos a um fornecedor, que não teve o nome revelado, com quem tinha vínculo, utilizando sua alçada e privilégios prerrogativas. O valor total chegou a R$ 10,45 milhões nos últimos quatro anos, sendo: R$ 3,38 milhões em 2021, R$ 1,85 milhão em 2022, R$ 3,35 milhões em 2023 e R$ 1,87 milhão em 2024. A apuração, que já foi comunicada ao Banco Central, foi conduzida pelo comitê de auditoria da instituição e executada pela auditoria interna.
Entretanto, o banco Itaú ressalta que as irregularidades verificadas não impactarão nas demonstrações financeiras da companhia e teriam ficado restritas apenas aos contratos com um fornecedor específico, sem relação ou influência em outros pareceres.
Em assembleia de acionistas que aconteceu na última quinta-feira (05), a instituição decidiu que vai tomar “todas as medidas legais cabíveis” e que a primeira providência será uma ação de “protesto interruptivo de prescrição”, que congela o prazo legal para que o banco tome providências judiciais, com uma ação cível. Ainda, o Itaú pediu a anulação das contas aprovadas do ex-executivo a sua responsabilização e do fornecedor nas esferas administrativa e judicial.
O banco também acionou a Pwc, responsável por sua auditoria externa, mas a empresa afirmou não haver necessidade de refazer os relatórios de auditoria dos três últimos balanços anuais por conta do montante financeiro.
O que diz o executivo
Alexsandro Broedel negou as acusações e afirmou que elas são infundadas. Ele prometeu ainda acionar a justiça. Em nota, ele afirmou que “sempre se conduziu de forma ética e transparente em todas as atividades ao longo dos seus 12 anos no banco – algo nunca contestado pelo Itaú, que tem uma rigorosa e abrangente estrutura de controle e compliance, própria de um grupo financeiro com seu porte e importância na economia brasileira".
O executivo apontou ainda que o parecerista mencionado pelo banco, o professor Eliseu Martins, já era prestador de serviços do Itaú “há décadas, muito antes de Broedel ser convidado para a diretoria da instituição" e que "os serviços mencionados eram do conhecimento do Itaú e requeridos por diferentes áreas do banco”, afirmou.
O ex-diretor financeiro disse também que é estranho a instituição bancária publicar tais informações após ele pedir demissão do cargo, renunciar as funções que tinha e anunciar a ida para outro banco, em posto global.
“Causa profunda estranheza que o Itaú levante a suspeita sobre supostas condutas impróprias somente depois de Broedel ter apresentado a renúncia aos seus cargos no banco para assumir uma posição global em um dos seus principais concorrentes, cumprindo o período de quarentena definido pelo banco”, ressalta.
Outro caso
No final de novembro, o Itaú demitiu outro executivo, desta vez o diretor de marketing, Eduardo Tracanella, por uso indevido do cartão corporativo.
Alexsandro Broedel
O executivo atuou no banco de maio de 2012 a julho de 2024, ocupando a cadeira de CFO, diretor financeiro, desde 2021. Broedel pediu demissão em julho para ser o novo chefe de contabilidade no Santander global, o que está previsto para o início de 2025.
Como o banco estabelece quarentena para executivos que saem da empresa e vão para instituição concorrente, Alexsandro Broedel mantinha vínculo com o Itaú nos últimos meses como administrador licenciado.
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