Economia & Mercado

Lula é pressionado por montadoras a não quebrar acordo para beneficiar BYD; entenda

Ricardo Stuckert/Presidência da República
A carta destaca que a redução de impostos contradiz iniciativas do governo Lula com o objetivo de beneficiar BYD  |   Bnews - Divulgação Ricardo Stuckert/Presidência da República
Thiago Teixeira

por Thiago Teixeira

thiago.teixeira@bnews.com.br

Publicado em 29/07/2025, às 17h20 - Atualizado às 17h24



Entidades do setor automotivo brasileiro enviaram, na última segunda-feira (28), uma carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para manifestar repúdio à possível redução das alíquotas de importação sobre veículos SKD (Semi Knocked Down) e CKD (Completely Knocked Down) — que abrangem veículos semiprontos.

No modelo SKD, os carros chegam parcialmente montados ao país e passam apenas por uma etapa final de montagem. Já no CKD, os veículos vêm totalmente desmontados e precisam ser inteiramente montados no Brasil. Na prática, as empresas que utilizam esses sistemas quase nunca contratam fornecedores no Brasil — o que impacta diretamente na geração de empregos.

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O entendimento da Associação Brasileira da Indústria de Autopeças (Abipeças) e do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças) é que a medida estudada pelo governo brasileiro enfraquece a indústria nacional e favorece fabricantes estrangeiras, em especial a Build Your Dreams (BYD).

O documento também afirma que a eventual concessão do benefício contradiz programas do próprio governo Lula que visam estimular a competitividade da indústria nacional, como o Mobilidade Verde e Inovação (Mover).

Mesmo com intenso e espantoso ingresso de veículos de passeio acabados, importados, com alíquotas de 12% e 18%, verifica-se que, não satisfeita, a montadora chinesa BYD insiste com pleito de expressiva redução da alíquota do Imposto de Importação, de 35% para 10%", dizia um trecho do ofício assinado pelo presidente da Abipeças e do Sindipeças, Cláudio Sahad.

O pleito para diminuição das alíquotas está em análise na Câmara de Comércio Exterior (Camex), foi feito pela própria BYD e pode ser votado na quarta-feira (30), em reunião extraordinária do Comitê Executivo de Gestão (Gecex).

As entidades afirmam que a medida criaria uma “concorrência inusitada” com os veículos produzidos no Brasil e configuraria uma “renúncia fiscal injustificada”, além de provocar efeitos em cadeia.

A combinação nefasta desses fatores irá, inquestionavelmente, provocar queda de produção e perda de empregos para a indústria brasileira de autopeças, além de inevitável revisão dos investimentos anunciados por montadoras e por nosso setor", diz trecho da carta.

A carta também foi encaminhada a outros integrantes do governo, como o vice-presidente e ministro da Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin (PSB), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o secretário de Desenvolvimento Industrial, Uallace Moreira, e a secretária de Comércio Exterior, Tatiana Prazeres.

O BNews procurou a BYD para se manifestar sobre a carta enviada a Lula. No entanto, até a publicação detsa reportagem, nenhum posicionamento foi enviado. O espaço segue aberto.

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