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Nubank vira alvo por InvestNews em polêmica do Caso Master; entenda

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O Nubank, que controla o veículo InvestNews, entrou no centro de uma polêmica do Caso Master  |   Bnews - Divulgação Foto / Divulgação
Leonardo Oliveira

por Leonardo Oliveira

Publicado em 29/04/2026, às 23h12



O Nubank entrou no centro de uma polêmica do Caso Master. O grupo controla o InvestNews, site que realiza duras reportagens contra players da Faria Lima, no mesmo momento em que sua plataforma distribui Certificados de Depósito Bancário (CDBs) do Banco Master para o varejo, com produtos que possuem rendimento de até 150% do CDI e geram questionamentos sobre risco, fiscalização e lucros.

A dúvida gira em torno da distribuição desses títulos e os ganhos obtidos com as comissões quanto à checagem de risco antes da quebra do banco. O InvestNews informa em seu site que pertence à Nu Pagamento S.A, do Nubank, mas garante que os seus conteúdos são independentes. 

No entanto, a pressão aumentou após reportagens do veículo sobre a Latache Capital, gestora ligada a disputa societárias e conexões com estruturas do Banco Master. De acordo com a reportagem, empresas de Renato Azevedo compraram R$ 125 milhões em cotas do fundo Hans II, citado na CPMI do INSS como parte de um esquema para inflar o patrimônio ligado ao dono do Master, Daniel Vorcaro.

A questão é que o Nubank não apareceu fora dessa jogada. De acordo com o Correio Braziliense, em novembro de 2025, XP, BTG Pactual e Nubank comercializaram esses CDBs de alto rendimento para o varejo. Dessa forma, o investidor empresta dinheiro ao banco via CDB, recebe juros altos, mas se o banco quebra, como no caso do Master, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) cobre até R$ 250 mil por CPF/CNPJ. 

O Master tinha 1,6 milhão de clientes e R$ 41 bilhões em depósitos elegíveis. O FGC já pagou R$ 38,4 bilhões, cerca de 94% do total, com aporte extra de R$ 32,5 bilhões dos bancos, de acordo com informações da Agência Brasil, em março de 2026. 

A questão é que não há valores públicos sobre comissões do Nubank, mas existe a cobrança por explicar o critério de seleção, qual alerta de risco apareceu na tela, qual remuneração recebeu pela distribuição e quando retirou o papel da prateleira. A mesma regra vale para XP e BTG, pois o varejo confiou nessas marcas grandes.

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Além disso, existe uma atenção sobre Roberto Campos Neto, ex-presidente do BC (2019-2024) e atual vice-chairman do Nubank, chefe global de políticas públicas e membro não independente do Conselho de Administração da Nu Holdings, desde julho de 2025.

A liquidação do Master veio sob Gabriel Galípolo, mas o crescimento dos CDBs de alto risco aconteceu antes. Galípolo disse que o banco tinha só R$ 4 milhões em caixa na quebra, com R$ 120 milhões em dívidas curtas e R$ 2,5 bilhões não recolhidos ao BC. O Nubank entra em uma posição dupla como plataforma financeira, distribuidora de produto do Master e controladora de um veículo de jornalismo econômico que cobre concorrentes, gestores, bancos e personagens do mesmo ecossistema.

Segundo o InvestNews, os conteúdos disponibilizados são meramente jornalísticos e/ou informacionais e não devem ser interpretados como recomendações de investimentos, de compra ou venda de valores mobiliários ou análises exclusivas ao exercício de analistas de valores mobiliários.

Além disso, é informado que A Nu Brasil Serviços Ltda. não se responsabiliza por decisões de investimentos tomadas com base nas informações divulgadas e se exime de qualquer responsabilidade por quaisquer perdas, danos e/ou prejuízos, diretos ou indiretos, que venham a decorrer da utilização dos materiais ou seu conteúdo.

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