Economia & Mercado
por Henrique Brinco
Publicado em 01/06/2025, às 17h06 - Atualizado às 17h34
Mesmo diante de uma avalanche de denúncias de franqueados que alegam ter perdido tudo ao investir na marca, a Cacau Show segue apostando alto – e com pressa – em um ambicioso projeto no interior de São Paulo. Trata-se do Cacau Park, parque temático orçado em R$ 2 bilhões e idealizado pelo próprio fundador e CEO da empresa, Alexandre Tadeu da Costa, o Alê Costa.
Para se ter uma ideia, o projeto promete ser maior que o Beto Carrero World. Se for concebido como pensado originalmente, serão mais de 100 atrações, além de hotéis e um boulevard a céu aberto com lojas, restaurantes e espaço para shows.
Apresentado ao público em um vídeo instucional de 2024 narrado pelo apresentador Pedro Bial, o empreendimento é descrito como uma espécie de “auto-homenagem” ao criador da maior rede de franquias de chocolates do Brasil, com mais de 5 mil unidades.
A proposta do parque mescla experiências sensoriais com referências diretas à trajetória pessoal de Alê: carrinhos de bate-bate feitos com Fuscas azuis de 1988 – mesmo modelo que ele usava no início da carreira –, áreas inteiras dedicadas aos produtos da marca e até uma montanha-russa que promete ser a mais rápida da América Latina.
O clima por trás das cortinas, no entanto, é bem menos lúdico. Profissionais envolvidos na construção do Cacau Park relatam jornadas extenuantes, forte pressão por metas e atropelos nos padrões de qualidade. Há também queixas sobre contratos descumpridos e desrespeito a direitos trabalhistas.
O comportamento de Alê Costa também tem chamado atenção. Desde que anunciou o projeto do Cacau Park, segundo o Metrópoles, ele adotou trajes inspirados no personagem Willy Wonka, o excêntrico dono de uma fábrica de chocolates na ficção. Cartola e casacos de veludo escuro passaram a fazer parte do figurino recorrente do CEO.
A postura contrasta com as críticas cada vez mais públicas de franqueados, que nas últimas semanas denunciaram supostas práticas abusivas dentro da empresa. Entre os relatos, há comparações da cultura corporativa a uma "seita", marcada por eventos motivacionais intensos, ausência de diálogo, taxas extras de última hora e retaliações a quem questiona diretrizes ou contratos.
Apesar da insatisfação crescente entre parceiros comerciais, o Cacau Park segue em ritmo acelerado de construção – consolidando-se como o novo foco de um império que, aos olhos de muitos, parece estar mais preocupado em construir monumentos do que em cuidar das suas bases.
Assista ao vídeo de divulgação do projeto Cacau Park:
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