Economia & Mercado
Mesmo diante de alguns avanços nas pautas relacionadas à diversidade e à inclusão da população LGBTQIA+ na sociedade, muitas pessoas ainda enfrentam desafios significativos no mercado de trabalho, que vão desde o preconceito velado até a falta de políticas inclusivas efetivas.
Dados de uma pesquisa do LinkedIn, plataforma de mídia social focada em negócios e emprego, indicaram que quatro em cada dez profissionais LGBTQIA+ já sofreram discriminação em seus empregos. Além disso, o levantamento, realizado em 2023, também apontou que 43% já foram vítimas de preconceito, principalmente por meio de piadas e comentários homofóbicos.
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Ao BNews, a educadora social Jandira Mawusí, ativista na luta contra o racismo e a LGBTfobia, detalhou quais são os principais obstáculos enfrentados por essa população dentro do ramo de atividades trabalhistas.
"A presença de pessoas como eu, uma mulher preta, lésbica, candomblecista, tem uma dificuldade muito grande do entendimento de pessoas em posições de poder. [...] Então, os principais desafios são fazer com que essa pessoa [LGBTQIA+] seja vista com humanidade, como pessoa, como gente, como uma pessoa como outra qualquer que esteja apta a exercer o seu trabalho", explicou.
Por que incluir pessoas LGBTQIA+ no mercado de trabalho?
De acordo com Jandira, promover a inclusão da população LGBTQIA+ nas empresas e criar um ambiente acolhedor e respeitoso, além de valorizar a individualidade de cada pessoa, independentemente de sua orientação sexual ou identidade de gênero, demonstra um compromisso da corporação em reconhecer e valorizar o talento e a diversidade humana em todas as suas formas.
"Quando as empresas permitem essa inclusão, permitem trazer para dentro de seu quadro pessoas da diversidade, estão dizendo que estão atentas às mudanças. As mudanças são necessárias para a humanidade. Então, essa empresa também vai estar sendo vista com maior olhar, vai possibilitar com que essas pessoas trabalhem, doem suas aptidões e suas criatividades, que são muitas e de qualidade", afirmou.
"A gente precisa continuar dizendo à sociedade que a gente existe, que a gente quer, sim, um espaço de boa vivência, de convivência, de familiaridade", completou ela.
Políticas e práticas organizacionais necessárias
Para Jandira Mawusí, a sensibilidade e o respeito à diversidade são alguns dos passos fundamentais que precisam ser dados na direção de uma sociedade mais justa e inclusiva, principalmente dentro das empresas.
"A gente não constrói nenhum tipo de política, de prática de inclusão da comunidade LGBT sem esses princípios. [...] Então, a partir daí, são necessárias implementações de regras contra a discriminação, contra o assédio, contra os abusos”, disse.
“As políticas precisam ser de formação, de capacitação e de entendimento, para que, dentro desse ambiente, possa haver uma promoção, uma inclusão verdadeira, que leve aos benefícios, às garantias, à sensibilização, que crie um ambiente saudável, de vivência, de práticas saudáveis para a nossa comunidade, para que a gente possa desenvolver nosso trabalho e possa fazer a transformação, não só dentro da empresa, mas também dentro das pessoas, dentro da sociedade”, complementou.
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