Economia & Mercado
Em mais uma matéria do projeto "Semana Azul BNews", a reportagem entrevistou especialistas para explicar: o que é a Economia Azul ou Economia do Mar?
Em linhas gerais, trata-se de uma forma de desenvolver, de maneira sustentável, a economia, visando à utilização de recursos do oceano e da costa.
Década do Oceano
A Década do Oceano, ou Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável, ganhou destaque por ser um movimento global que foi proposto pelas Nações Unidas em 2017, quando surgiu a necessidade de atuar de forma mais intensiva em prol da saúde oceânica.
Esse movimento compreende os anos de 2021 a 2030. A ação tem como intuito promover uma gestão responsável dos recursos marinhos, aliada a práticas responsáveis, para assegurar que as gerações futuras também possam se beneficiar desses ecossistemas.
Importância dos Oceanos
Atualmente, cerca de 40% da população mundial vive a menos de 100 km do oceano ou do mar, o que destaca o impacto das águas salgadas na vida do ser humano. Além disso, os mares representam a 7ª maior economia do mundo, de acordo com dados da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Ao BNews, a titular da Secretaria do Mar, Duda Lomanto, destacou que a relevância da Secretaria para a cidade foi impulsionada por um debate global crescente sobre o oceano e a economia azul, temas cada vez mais discutidos internacionalmente.
"É algo que está sendo debatido no mundo. Então, nós estamos de acordo com a ONU na Década do Oceano Azul até 2030, e cada vez mais o mundo todo discute a importância do oceano para o desenvolvimento econômico e social das cidades", explicou.
Duda também destacou que, ao pensar em Salvador, que possui a segunda maior baía navegável do mundo, com 56 ilhas, 1.233 quilômetros quadrados, média de profundidade de 9,8 metros e máxima de 70 metros, há uma visibilidade de mergulho que varia entre 10 e 20 metros.
"Então são muitas variáveis, né? Temos uma baía de água quente, que só apresenta, em pouquíssimos momentos no inverno, uma ou duas semanas, alerta de não ser navegável. Fora isso, ela está apropriada para todas as embarcações e todos os tipos de pessoas poderem velejar. Então, diante dessa realidade, a gente precisa pensar como desenvolver nossa cidade olhando a Baía de Todos-os-Santos, o mar, como um vetor econômico", emendou.
Ainda em conversa com a reportagem, a secretária Duda Lomanto citou alguns programas implantados na capital baiana para fomentar a economia do mar na cidade.
"Temos vários programas implantados, como o Saque Náutico, que é uma referência no mundo, onde conseguimos trazer velejadores internacionais e acolhê-los em Salvador de forma muito rápida em termos de documentação. Em outros lugares, isso demora dois ou três dias; aqui, em três horas conseguimos desenrolar toda a documentação para que ele possa pernoitar na nossa cidade", detalhou
A secretária ainda destacou que a pasta já possui várias ações dentro da Secretaria de Cultura e Turismo que fomentam o turismo náutico. Além da secretaria já ter implantado também toda a parte do Parque Marinho da Barra.
"Percebemos que carreiras ligadas à náutica são uma demanda que falta em Salvador e, nessa observação, através das nossas escutas ativas, percebemos que precisamos qualificar. Então, através do programa 'Treinar para Empregar', teremos qualificações ligadas a carreiras náuticas, como eletricista naval e mecânico naval", revelou a secretária.
Também em conversa com a reportagem do BNews, o diretor da WWI Brasil, Eduardo Athayde, destacou o impacto econômico que o segmento gera na Bahia e também a nível nacional, e revelou uma novidade para os próximos anos.
A nivel nacional, cerca de R$2 trilhões por ano (o mesmo valor movimentado pela agricultura) e, na Bahia, cerca de R$80 bilhões por ano. Estamos trabalhando para criar o 'Atlas da Economia do Mar'.
Sem tantos "holofotes" mas com um grande impacto no cenário nacional, a Economia do Mar influencia diveroso ramos da economia no país. De acordo com o Athayde, os segmentos são dividos em duas prateleiras, com a parte de transporte, turismo e entretenimento aparecendo no maior grupo.
Na chamada grande economia, petróleo e gás, defesa, atividade portuária, transporte, energia, logística, pesca, mineração, construção naval, indústria náutica, esportes, turismo, entretenimento, etc. Na chamada pequena economia, pesca artesanal, culinária, culturas locais, construção naval artesanal, meios de hospedagem, economia da praia, lazer, etc.", explicou.
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