Economia & Mercado
por Verônica Macedo
Publicado em 30/01/2025, às 14h45 - Atualizado às 14h49
Mais de 80% da indústria brasileira já fazem uso de práticas diárias relacionadas à economia circular. O percentual exato é 85%, segundo dados levantados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pelo Centro de Pesquisa em Economia Circular da Universidade de São Paulo (USP). Com a criação da Estratégia Nacional de Economia Circular (ENEC), no ano passado, e principalmente, com a disseminação de ações específicas voltadas ao tema, por parte da indústria, o Brasil vem se consolidando como um importante player mundial quando o assunto é economia circular.
As iniciativas mais praticadas entre as indústrias que adotam a economia circular são a promoção de programas de sustentabilidade e a realização de ações que aumentam a efetividade dos processos, minimizando o desperdício.
A reciclagem, cada vez mais comum, é atualmente adotada em três a cada dez empresas. “De uma maneira geral, com a economia circular, promovemos redução da extração de recursos naturais, maior longevidade dos produtos e, no final da vida útil desses produtos, a reciclagem de matérias-primas. Esses são os pontos principais que sustentam o conceito de economia circular”, explica Marcelo Okamura, presidente da Campo Limpo, empresa que produz embalagens recicladas de defensivos agrícolas.
Ainda segundo Okamura, a ideia é dar vida nova a um objeto que a princípio iria para o lixo. “Por que simplesmente descartar algo se podemos utilizar esse item como matéria-prima para a produção de um novo produto?”, questiona.
Case mundial que tem origem no Brasil, a Campo Limpo, situada em Taubaté (SP), é pioneira na produção de embalagens recicladas para defensivos agrícolas. A empresa tem hoje capacidade de produzir até 18 milhões de embalagens recicladas por ano, já tendo produzido desde sua fundação, em 2008, mais de 100 milhões de unidades.
“Os ganhos para o meio ambiente são incontáveis. No Brasil, desde 2002, já retiramos do meio ambiente mais de 800 mil toneladas de embalagens de defensivos agrícolas. E já evitamos a emissão de 1,05 milhão de toneladas de CO2 equivalente na atmosfera”, afirma Okamura.
Na Bahia, mais especificamente, em Salvador, existem empresas que se despontam desde 2018 pelas boas práticas sustentáveis nos negócios, conforme agenda da Ambiental, Social e Governança – ESG (Environmental, Social and Governance, um conjunto de critérios que medem o impacto sustentável das companhias). Como exemplos, pode-se citar as startups SOLOS, ÓiaFia, que trabalham com reciclagem e descarte correto dos resíduos e através da inclusão das cooperativas e dos catadores, atuando em todo o estado. No setor alimentício, tem a lanchonete Tedesco, referência em ESG, que desponta por capacitar seus funcionários e ter programa de carreira.
Por conta da legislação federal, o agricultor brasileiro é obrigado a devolver a embalagem vazia de defensivo agrícola (após o uso) a uma unidade de recebimento do Sistema Campo Limpo.
O próximo passo é encaminhar a embalagem vazia para uma recicladora parceira do Sistema Campo Limpo. “A Campo Limpo é quem realiza o processo de reciclagem de embalagens vazias de defensivos agrícolas, utilizando a resina reciclada e transformando, com exclusividade, em uma nova embalagem”, conclui Okamura.
Economia circular no mundo
A Coreia do Sul promove o uso de plásticos biodegradáveis e designs ecológicos que facilitam a reutilização e a reprodução, por meio do K-Circular Economy. Nas Maldivas, a proibição de plásticos de uso único e parcerias com a indústria visam preservar os oceanos. A Arábia Saudita, por sua vez, implementa o Programa de Economia Circular de Carbono, que aborda tanto os resíduos materiais quanto as emissões. No Canadá, iniciativas como o “Direito ao Reparo” estendem a vida útil de produtos, como eletrodomésticos, em vez de incentivar a compra de novos.
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