Economia & Mercado

Prejuízo à vista: chuva irregular ameaça safra de feijão na Bahia e impacto deve pesar no bolso dos brasileiros

Mateus Pereira / Secom
A irregularidade das chuvas pode afetar a colheita de feijão na Bahia, impactando a qualidade e a produção em 2026  |   Bnews - Divulgação Mateus Pereira / Secom
Thiago Teixeira

por Thiago Teixeira

thiago.teixeira@bnews.com.br

Publicado em 11/04/2026, às 12h40 - Atualizado às 12h45



Alimento essencial na mesa do brasileiro, o feijão pode ter sua colheita na Bahia comprometida em 2026. De acordo com dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a irregularidade das chuvas nas últimas semanas tem impactado diretamente o ritmo da safra e a qualidade dos grãos, especialmente em regiões estratégicas do estado.

Mesmo com a colheita já alcançando cerca de 88% da área cultivada, com base nos dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), entre o final de março e a primeira semana de abril, o excesso de umidade em algumas áreas — principalmente no Oeste baiano — tem dificultado a entrada de máquinas nas lavouras e comprometido o resultado final da produção.

Siga o BNews no Google e receba as principais notícias no seu celular

Google News Bnews

A Bahia tem peso relevante na produção agrícola do Nordeste — tendo sete cidades entre as 50 maiores produtoras do Brasil. A safra de feijão no estado em 2026 projeta crescimento significativo, com a 1ª safra estimada em um aumento de 35,3% (116,9 mil toneladas) em relação ao ano anterior.

Nessa esteira, o comportamento do clima nas próximas semanas pode definir não só o resultado da colheita, mas também o impacto no abastecimento e nos preços do feijão — que será repassado para o consumidor.

Ao mesmo tempo, o cenário não é uniforme. No Sudoeste da Bahia, municípios como Vitória da Conquista enfrentam o problema oposto: a falta de chuvas regulares combinada com temperaturas elevadas tem reduzido a umidade do solo, criando um ambiente desfavorável para o desenvolvimento das lavouras.

Nesse contexto, as estimativas apontam que as perdas de produtividade podem chegar a até 42,6%. Enquanto em algumas áreas a chuva em excesso atrasa a colheita e prejudica a qualidade dos grãos, em outras a escassez hídrica ameaça diretamente a produção.

Esse cenário também se reflete no contexto mais amplo do Matopiba — região que engloba Bahia, Maranhão, Tocantins e Piauí — onde a distribuição irregular das chuvas tem ditado o ritmo da safra. Diferente da realidade baiana, por exemplo, o Piauí tem registrado volumes mais favoráveis recentemente, o que ajudou a manter o potencial produtivo em determinadas áreas.

Para os próximos dias, a previsão não indica alívio significativo. A tendência é que as chuvas se concentrem no Sul da Bahia e registrem baixos acumulados em outras regiões. Além disso, as temperaturas seguem elevadas, acima dos 30 °C em boa parte do estado, o que contribui para acelerar a perda de umidade do solo e agravar o risco de déficit hídrico em regiões já afetadas.

Classificação Indicativa: Livre

Facebook Twitter WhatsApp


Cadastre-se na Newsletter do Bnews (Beta)