Economia & Mercado

Quanto custa viver em Salvador? Endereço mais caro da Bahia tem apartamentos de R$ 65 milhões

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Custo de vida em Salvador vai além do mercado de luxo e os dados do IBGE revelam uma pressão crescente sobre as famílias em 2026  |   Bnews - Divulgação Reprodução/Redes Sociais
Antonio Dilson Neto

por Antonio Dilson Neto

Publicado em 24/07/2026, às 06h00



Salvador tem dois mercados imobiliários que dificilmente conversam entre si e dividem a cidade em dois polos que não precisam mais do Elevador Lacerda. De um lado, o Corredor da Vitória, onde o metro quadrado pode chegar a custar R$ 50 mil e um apartamento pode custar mais do que muita empresa vale. 

Do outro, a realidade do custo de vida para a maior parte da população, que no primeiro semestre de 2026 já acumulou uma inflação quase equivalente à do ano inteiro de 2025.

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O endereço mais caro da Bahia

Quando o assunto é o imóvel mais caro de Salvador, a resposta é uma só: a Mansão Wildberger, no Corredor da Vitória. As unidades anunciadas com maior valor chegam a R$ 65 milhões — o que faz do empreendimento o endereço residencial mais valioso da Bahia atualmente, segundo a corretora de alto padrão Tathiana Sette, sócia da Sette Imobiliária.

É a expressão máxima do luxo condominial na cidade: as unidades anunciadas mais caras são apartamentos lineares de 993 m², um por andar, com vista para a Baía de Todos os Santos, spa, teleférico privativo e até deck para os moradores estacionarem suas lanchas”, detalha Tathiana.

A corretora explica que para entender o valor do metro quadrado na cidade é preciso separar dois mercados um do outro. “No segmento de altíssimo luxo, o Corredor da Vitória lidera com folga: nos prédios ícone, o metro quadrado chega à faixa de R$ 50 mil. Para dar uma dimensão, o Horto Florestal, que é o segundo endereço mais valorizado, tem m² médio de R$ 15 mil, ou seja, 70% menor. Já no mercado geral, considerando o índice FipeZap, o bairro com o metro quadrado médio mais caro de Salvador é a Barra, na casa dos R$ 11 mil, puxado pela valorização da orla”.

E se a pergunta for sobre tamanho: os maiores apartamentos da cidade são justamente os lineares da Mansão Wildberger, com 993 m² de área privativa.

O condomínio mais caro

Se a pergunta muda para o custo mensal de manutenção, a resposta também muda. A taxa condominial mais alta de Salvador é a do Mansão Carlos Costa Pinto, também na Vitória, em torno de R$ 9 mil por mês. “É um valor que se explica: cada apartamento tem piscina individual na varanda, e o prédio tem píer exclusivo, aliás o primeiro da cidade, de 1987. Se somarmos todos os custos, porém, a Mansão Wildberger provavelmente lidera: o condomínio gira em torno de R$ 7 mil, mais uma taxa de píer de R$ 5 mil, passa de R$ 12 mil mensais”. 

É o preço da exclusividade: estamos falando de empreendimentos que funcionam como clubes privados, com serviços que um hotel cinco estrelas oferece.

O que o comprador de alto padrão busca hoje em Salvador, segundo a corretora, começa pelo acesso ao mar — o grande diferencial da cidade nesse segmento, que explica a concentração de valor na orla e no Corredor da Vitória. Depois vêm projeto arquitetônico atualizado, automação, qualidade dos acabamentos e, cada vez mais, a entrega completa do imóvel decorado e pronto para morar.

 O cliente quer receber o apartamento pronto, decorado, sem ter nenhum trabalho. Ele compra a experiência completa, não uma obra pela frente", diz Tathiana. 
Mansão carlos costa pinto, na Vitória
Reprodução/Redes sociais

E quem não mora no Corredor da Vitória?

Longe do mercado de luxo, a vida em Salvador em 2026 apresenta um cenário diferente. Os dados do IBGE revelam que a inflação acumulada na região metropolitana de Salvador no primeiro semestre deste ano já é quase equivalente à do ano inteiro de 2025, e bem superior à inflação registrada no mesmo período do ano passado.

"A gente já tem uma inflação acumulada no primeiro semestre que é quase equivalente à inflação do ano passado inteiro, e bem superior à inflação acumulada no primeiro semestre do ano passado", resume Mariana Viveiros, supervisora de Disseminação de Informações do IBGE na Bahia.

O puxão para cima veio principalmente dos primeiros meses do ano. Em fevereiro e março, três fatores se somaram: a alta dos combustíveis — sendo a gasolina o item de maior peso no índice de inflação pelo impacto que tem nas despesas das famílias —, o aumento dos alimentos e os reajustes de educação, período tradicional de correção de mensalidades. O cenário externo também contribuiu, com a conjuntura ligada ao conflito no Irã pressionando os preços dos combustíveis naquele intervalo.

"A gasolina é o item que mais pesa no índice de inflação como um todo, porque ela é importante nas despesas das famílias", explica Mariana Viveiros. "A gente teve um momento importante dos combustíveis e também dos alimentos, bastante influenciados pela conjuntura externa, dos ataques ao Irã. Aí a gente teve um aumento bastante importante nesses dois meses que puxaram essa inflação do primeiro semestre para cima."

Em junho, no entanto, o ritmo arrefeceu. Os alimentos, que haviam sido um dos principais vetores de pressão ao longo do semestre, registraram deflação de 0,58% no mês — o que contribuiu para segurar o índice. Os alimentos in natura foram um fator central nesse movimento.

Classificação Indicativa: Livre

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