Economia & Mercado
A Bahia registrou rendimento médio mensal do trabalho de R$ 2.563 no segundo trimestre de 2026, segundo dados da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
O valor coloca o estado entre os cinco com menor renda média do país no período, à frente apenas de Maranhão, Piauí e Alagoas entre os estados com os menores resultados. Os dados foram organizados pela Folha de São Paulo.
Entre abril e junho, a renda média do trabalho no Brasil foi de R$ 3.738 por mês. O indicador ficou 1,5% abaixo do recorde da série histórica, registrado nos três meses anteriores, quando alcançou R$ 3.795.
Na Bahia, o rendimento médio de R$ 2.563 ficou abaixo também dos valores registrados por outros estados do Nordeste. O Piauí apresentou R$ 2.547, enquanto Alagoas chegou a R$ 2.578.
O Maranhão teve a menor renda média entre as unidades da Federação, com R$ 2.284. Na sequência apareceram Piauí, Bahia, Alagoas e Pará, todos com valores inferiores a R$ 2.600.
De acordo com a série histórica da Pnad Contínua, iniciada em 2012, o rendimento do trabalho apresenta trajetória de recuperação nos últimos anos, mas as diferenças regionais permanecem.
Para analistas, o menor dinamismo econômico observado durante décadas no Norte e no Nordeste é um dos fatores associados aos rendimentos mais baixos nessas regiões.
"O mercado de trabalho do Norte e do Nordeste é muito informal. Isso joga a renda para baixo", diz o economista Bruno Imaizumi, da consultoria 4intelligence, ao jornal.
"Se você pegar um mercado que tem mais indústria, que tem mais infraestrutura, vai ver essa renda mais para cima", acrescenta.
O Distrito Federal registrou a maior renda média do trabalho no segundo trimestre de 2026, com R$ 6.171 por mês. São Paulo apareceu na segunda posição, com R$ 4.447.
O Distrito Federal tradicionalmente lidera o ranking das unidades da Federação. Segundo o pesquisador Fernando de Holanda Barbosa Filho, do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), ouvido pelo jornal, a presença de carreiras de Estado com salários elevados ajuda a explicar o resultado.
"O Distrito Federal historicamente tem um nível salarial muito alto porque as carreiras de Estado que pagam mais estão lá", diz Barbosa Filho.
Em São Paulo, o rendimento de R$ 4.447 foi o quarto maior da série histórica do estado. O valor ficou atrás dos registrados no primeiro trimestre de 2026, de R$ 4.457; no quarto trimestre de 2025, de R$ 4.466; e no segundo trimestre de 2015, de R$ 4.487.
Na comparação entre o segundo trimestre de 2026 e o primeiro trimestre de 2012, Paraíba, Rondônia e Piauí apresentaram as maiores altas proporcionais da série histórica, com avanços de 40,7%, 38,2% e 33,6%, respectivamente.
O Amazonas foi a única unidade da Federação com queda no período, de 4,9%. A renda média no estado ficou em R$ 2.771 no segundo trimestre de 2026, abaixo dos R$ 2.914 registrados no início da série histórica, nos três primeiros meses de 2012.
Os dados consideram o rendimento habitualmente recebido em todos os trabalhos, em valores reais, ajustados pela inflação. A média é calculada a partir dos recursos obtidos pelo trabalho e do número de profissionais ocupados.
As diferenças também aparecem entre as capitais brasileiras. Florianópolis registrou a maior renda média do trabalho no segundo trimestre de 2026, com R$ 6.962.
Porto Alegre, com R$ 6.660, e Curitiba, com R$ 6.347, vieram na sequência. Maceió apresentou o menor rendimento entre as capitais, com R$ 3.276. Manaus, com R$ 3.281, e São Luís, com R$ 3.291, também ficaram abaixo de R$ 3.300.
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