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Sombra Retrô: Pulada de cerca

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Os bastidores do passado da sociedade baiana  |   Bnews - Divulgação Arquivo
Editoria de Política

por Editoria de Política

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Publicado em 21/08/2026, às 06h00



Fábio Vilas-Boas, então secretário estadual da Saúde, atravessou a Baía de Todos-os-Santos com a galera rumo ao restaurante Preta, na Ilha dos Frades. O problema é que o restaurante estava fechado por causa das condições climáticas e de uma recomendação da Capitania dos Portos. Sem conseguir acesso pela porta, Vilas-Boas resolveu inovar no conceito de reserva: pulou uma mureta e entrou no estabelecimento fechado. As câmeras registraram o momento da incursão.

Perdeu a linha
A aventura, porém, não terminou ali. Depois da invasão, veio o xingamento de Fábio para a chef Angeluci Figueiredo, com direito a chamar a dona do restaurante de “vagabunda”. O episódio ganhou as redes, virou crise política e, dois dias depois, acabou com o pedido de exoneração do então secretário. No fim das contas, o ex-gestor conseguiu entrar no restaurante, mas terminou a carreira política de maneira melancólica.

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A bicuda de ACM
ACM, o original, também teve seus dias de pavio curto com a imprensa. Em 15 de novembro de 1986, o então ministro das Comunicações foi votar em Salvador e encontrou uma recepção nada amigável: vaias e gritos de “Waldir!”, em referência ao candidato de oposição Waldir Pires. O repórter Antônio Fraga, da TV Itapoan, fez o que jornalista faz: perguntou sobre as vaias. ACM não gostou. Mandou o repórter “respeitar o ministro”, disparou um palavrão e puxou o microfone. Quando Fraga já se afastava, veio o chute. A cena foi registrada pelas câmeras e atravessou décadas como um dos episódios mais emblemáticos da relação nada pacífica do velho ACM com a imprensa. Quase quatro décadas depois, a política mudou, os personagens mudaram, mas a velha receita continua conhecida: pergunta incômoda, político irritado e jornalista que vira alvo.

Os Descendentes da Turmitcha
Nos anos 80 e 90, algumas festas da nata soteropolitana se espelhavam nos padrões de Roma antiga — e de Calígula. Não havia regras. Não havia pudor. E, pelo jeito, também não havia ressaca. A 'turmitcha' reunia dondocas e cardeais da society baiana em noitadas fartas, onde o excesso era o único protocolo. Ao nascer do sol, o ritual se completava com os famosos “macarrones”, servidos como se o dia seguinte nunca fosse chegar. Décadas depois, os descendentes dessa 'turmitcha' circulam pela cidade. Alguns não sabem ao certo se se encaixam melhor no nome de 'filho', 'júnior' ou 'enteado'. Mas as feições de uns e outros dispensam teste de DNA. O sangue, como se diz, não mente. E algumas heranças daquela época ainda aparecem no rosto — e no sobrenome — de quem nasceu depois do nascer do sol.
Imagem gerada por IA
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Bual’amour em Chamas
Nos anos 80 e 90, a Bual’amour era o templo da perdição soteropolitana. Porta seletiva, corda de veludo e um filtro que só deixava passar quem tinha o sobrenome ou a roupa certa. Lá dentro, a elite se via e se deixava ver. Muitos romances  e muitas traições nasciam nos sofás e nos cantos escuros da pista. Foi exatamente ali que um antigo empreiteiro famoso, acostumado a mandar nos governos da época e tratado como garanhão pelos seus pares, viveu uma de suas noites mais dantescas. Ele flagrou a amante aos beijos com um playboy da Pituba no sofá da casa. A cena foi tão escancarada que o DJ famoso parou de tocar e a pista ficou em silêncio. Irritado, o empreiteiro quis tirar satisfação com amante, mas o caldo quente da saideira, que estava com a amante, virou arma e foi arremessado no rosto do empreiteiro. O playboy saiu corrido  Bual’amour e a amante até hoje sussurra o evento em rodas de amigas.

Imagem gerada por IA
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A Vitória de Cintra e o Papel da Imprensa
Em dezembro de 2001, o desembargador Carlos Alberto Dultra Cintra foi eleito presidente do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA), derrotando o desembargador Amadiz Barreto por 18 votos a 10. A vitória encerrou uma hegemonia de aproximadamente dez anos de candidatos alinhados ao grupo político do então senador Antônio Carlos Magalhães e inaugurou uma fase de maior independência da Corte em relação ao Executivo e ao Legislativo. Cintra chegou à presidência prometendo uma “faxina ética” e o fim da submissão do Judiciário aos caciques políticos estaduais. Nesse processo, o jornal A Tarde desempenhou papel fundamental. Em um cenário de polarização da imprensa baiana, no qual o grupo carlista controlava veículos de grande alcance, como a Rede Bahia e o Correio da Bahia, o periódico da família Simões funcionou como canal crítico e contraponto midiático. A cobertura de A Tarde quebrou o monopólio da narrativa dominante, deu visibilidade ao desejo de autonomia dentro do TJBA e registrou com destaque a derrota do candidato apoiado por ACM. Nos anos seguintes, o jornal também amplificou as respostas institucionais do tribunal e as representações judiciais movidas por desembargadores contra críticas públicas do senador, ajudando a sustentar a legitimidade do movimento de independência da Corte perante a opinião pública. A eleição de 2001, portanto, não foi apenas um resultado interno do Judiciário. Foi um momento de ruptura política e institucional que contou com a imprensa como elemento decisivo na consolidação da nova correlação de forças.

Classificação Indicativa: Livre

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