Economia & Mercado
Uma promessa de rendimento constante e alto não foi cumprida. Desde o início da semana, clientes da Naskar Gestão de Ativos Ltda. tentam acessar contas, resgatar valores ou, ao menos, ouvir uma explicação direta. O aplicativo parou, os telefones estão mudos, e o dinheiro, por enquanto, inacessível.
A empresa, que operava no Distrito Federal e em São Paulo, acumulou cerca de 3 mil clientes ao longo de 13 anos. Nesse período, construiu reputação suficiente para atrair aportes robustos, muitas vezes concentrando todo o patrimônio de investidores em uma única carteira, segundo o Metrópoles. Agora, a estimativa é de que mais de R$ 900 milhões estejam sob questionamento.
Promessa alta, resposta baixa
De acordo com a reportagem, o modelo oferecido chamava atenção: retorno de 2% ao mês. Em números simples, R$ 1 milhão aplicado renderia R$ 20 mil mensais. Um patamar bem acima do que se pratica no mercado tradicional — e, ainda assim, aceito por quem confiou na operação.
O problema ficou evidente na segunda-feira (4). O pagamento previsto simplesmente não caiu. Nenhum aviso prévio, nenhuma justificativa imediata. E, a sensação de prejuízo iminente ganhou força entre os clientes.
Só na quinta-feira (7), o volume de reclamações explodiu em plataformas públicas. “Estou sem acesso ao app, não recebi rendimentos e não tenho nenhuma resposta”, escreveu uma investidora. Outro relato foi direto: “A Naskar Holding bloqueou acesso ao app. Tenho valores investidos e não consigo resgatar”.
Nota oficial fala em “perda de dados”
A primeira manifestação da empresa veio apenas nesta sexta-feira (8), em tom técnico e sem detalhar o alcance do problema. A justificativa: uma falha interna.
“Após uma perda em nossa base de dados, estamos conduzindo um processo cuidadoso de auditoria. As equipes técnicas seguem atuando na estruturação das informações, e o processo de circularização junto aos clientes terá início ao longo da próxima semana”, informou a fintech.
Enquanto isso, os sócios, Marcelo Liranco Arantes, Rogério Vieira e José Maurício Volpato, conhecido como Maurício Jahu, não atendem ligações nem respondem mensagens. As redes sociais seguem sem atualização.
Dinheiro concentrado, impacto em cascata
A reportagem detalha que os números ajudam a dimensionar o tamanho do problema. Há investidor com R$ 3,9 milhões aplicados. Outro, bancário, colocou R$ 2,3 milhões. Um aposentado destinou R$ 1 milhão. Todos no Distrito Federal.
O empresário Wesley Albuquerque, de 40 anos, é um dos rostos dessa crise. Além de cliente, ele atuava na captação de novos investidores, uma relação formalizada por contrato. Ao longo dos anos, trouxe 135 pessoas para a Naskar. Juntas, elas somam R$ 47 milhões em aportes.
“Tenho uma empresa focada em consórcios. Seis anos atrás, a Naskar entrou em contato conosco, apresentou a empresa e foi provando que era digna de confiança”, disse ao site. O vínculo cresceu a ponto de concentrar todo o patrimônio pessoal na plataforma.
A recomendação chegou dentro de casa. “Minha mãe vendeu uma casa, e recomendei a ela que investisse lá. Falei: ‘Olha, mãe, meu dinheiro está todo lá, vai ser bom para você investir e ficar usando o retorno como aposentadoria’. Agora, com esse sumiço, minha mãe não tem reserva, não tem dinheiro mensal, não tem aposentadoria, não tem nada.”
A pressão emocional é evidente. “Estou me mantendo à base de medicamentos desde segunda-feira (4). Já chorei. Minha mulher não dorme. Estou quebrado, minha vida acabou.”
Investigação em andamento
Sem acesso aos recursos e sem comunicação efetiva da empresa, a Polícia Civil do Distrito Federal abriu investigação para apurar o que levou à interrupção das atividades e ao bloqueio das contas.
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