Economia & Mercado

Reajuste baixo, preços altos: Medicamentos continuam pesando no bolso do consumidor

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Especialista esclarece por que preços dos medicamentos variam de uma farmácia para outra  |   Bnews - Divulgação Reprodução/Freepik
Verônica Macedo

por Verônica Macedo

veronica.macedo@bnews.com.br

Publicado em 13/05/2025, às 08h16 - Atualizado às 08h29



O reajuste médio dos medicamentos autorizado pelo governo em 2025 foi de 3,83% – o menor desde 2018. Na prática, essa seria uma boa notícia. Só que quem vai à farmácia sabe que a realidade é outra: o preço dos remédios continua subindo e, em muitos casos, está simplesmente inviável. O brasileiro sente no bolso que algo está errado, mesmo quando o número no papel parece controlado. 

É o que explica Vinícius Bednarczuk de Oliveira, coordenador do curso de Farmácia do Centro Universitário Internacional Uninter, doutor e mestre em Ciências Farmacêuticas, farmacêutico e pesquisador. “Essa contradição tem várias causas. Primeiro, muitos medicamentos já vinham com preços altos, acumulados de anos anteriores. Segundo, o reajuste é apenas o teto permitido, as farmácias podem cobrar até esse valor, mas não significa que vão manter preços baixos”.  

Segundo Oliveira, há uma diferença significativa de preços entre estabelecimentos: um mesmo remédio pode variar muito de uma farmácia para outra. Isso acontece porque grandes redes conseguem negociar melhor com a indústria e aplicar descontos, enquanto farmácias menores repassam quase todo o valor ao consumidor. 

“Outro ponto é o custo de produção. A indústria farmacêutica lida com insumos importados, variações cambiais, energia cara e uma logística complexa. Tudo isso pesa no preço final. Mas, não dá para ignorar a estrutura do mercado e a forma como os preços são formados. Medicamentos de referência continuam sendo priorizados por muitos profissionais e consumidores, mesmo quando existem genéricos mais acessíveis e com a mesma eficácia”, salienta o especialista. 

O impacto disso é direto: pessoas ajustando o tratamento ao bolso, podendo interromper o uso, ou deixando de comprar. Não é exceção, é rotina para quem convive com doenças crônicas ou precisa de uso contínuo. O problema não é só o reajuste, é o sistema como um todo. 

Para Oliveira, “apesar do cenário, há formas de minimizar o peso no orçamento. Uma das mais eficazes é optar pelo medicamento genérico, que tem a mesma composição e eficácia do medicamento de referência, com um custo significativamente menor”.

O professor e pesquisador destaca ainda que também é importante conhecer e utilizar programas como o Farmácia Popular, que oferece medicamentos gratuitos ou com alto subsídio. “Muitos remédios de uso frequente estão disponíveis nesse programa.Além disso, hoje existem ferramentas digitais que ajudam a comparar preços entre farmácias, o que pode evitar gastos desnecessários”, pontua.  

E conclui: “Em um cenário onde até o acesso a medicamentos exige planejamento, estar bem-informado faz diferença. Ter acesso ao tratamento adequado é parte do direito à saúde, e, embora os reajustes venham sendo mais contidos, ainda há muito a ser feito para que os medicamentos cheguem às pessoas de forma mais justa e acessível”.   

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