Economia & Mercado
Publicado em 29/12/2024, às 05h30 Publicado por Vagner Ferreira
O ano de 2024 foi marcado por uma série de eventos econômicos que moldaram o cenário nos âmbitos mundial, nacional, regional e estadual. Os investimentos foram abalados por conflitos políticos, crises climáticas, luta contra a inflação e aumentos das taxas de juros.
No Brasil, o setor foi sublinhado pela busca por uma política estável. No Nordeste e, sobretudo, na Bahia, áreas como agronegócio e turismo tiveram avanços, mas também enfrentaram desafios estruturais mediante as incertezas do mercado.
Confira agora os principais desdobramentos que marcaram a economia de 2024:
Impactos da economia
Os Estados Unidos e a Zona do Euro iniciaram um processo de desinflação em 2024, após um período de alta. Mesmo com os bancos centrais mantendo as taxas de juros elevadas para controlar a inflação, a criação de novos empregos e o aumento nos salários aqueceram segmentos importantes da economia dos países.
Com a reeleição de Donald Trump, o cenário econômico mundial passou a enfrentar novas incertezas. O presidente reeleito defende medidas de taxação para países como o Brasil, na exportação de produtos norte-americanos. Além disso, Trump tem se manifestado contrário à criação de uma moeda própria para o bloco econômico Brics, formado por Brasil, China, Rússia, Índia e África do Sul.
Em relação à moeda, o dólar, por exemplo, atingiu um patamar acima dos R$ 6, chegando a alta máxima de R$ 6,2672. O valor superou os R$ 6, coincidentemente, um dia após o anúncio do Governo Federal por meio do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sobre o pacote de medidas fiscais, que inclui a isenção do Imposto de Renda (IR) para pessoas com ganho mensal de até R$ 5 mil.
Já a China, por sua vez, anunciou estímulos econômicos que deram suportes às moedas associadas a commodities, como o real. A iniciativa foi considerada por especialistas como o maior pacote de estímulos à economia desde a pandemia da Covid-19, em 2020.
O ano continuou marcado também pela intensificação na guerra entre Rússia e Ucrânia e da guerra do Oriente Médio, entre Irã e Israel, que causou efeitos significativos na economia global, afetando especialmente áreas de suprimentos, os preços de energia e aumentando a insegurança política, conforme informações do portal Exame.
Cenário nacional
No Brasil, a inflação iniciou 2024 com uma taxa de 3,90% e o Produto Interno Bruto (PIB) aumentou em 1,59%. A taxa Selic foi reduzida para 9,00%, com uma diminuição de 0,50 ponto porcentual na primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).
O país enfrentou também crises climáticas que impactaram direta e indiretamente na economia. Em abril, fortes chuvas atingiram o Rio Grande do Sul, afetando 471 cidades, com mais de 160 mortes e 626 mil desabrigados, conforme informações da Agência Brasil.
Para lidar com o cenário local, o Governo Federal iniciou uma força-tarefa para financiar a transferência de recursos, emitindo novos títulos, o que gerou crescimento no déficit fiscal, já que o comércio local foi paralisado. Foram destinados mais de R$ 62,5 bilhões para a população atingida pelas enchentes.
Além das chuvas, outro fator que afetou a economia foi a seca. O ano de 2024 registrou uma seca histórica, prejudicando o desenvolvimento da agricultura do país, de acordo com informações do Centro Nacional de Monitoramento de Desastres Naturais.
Consequentemente, a Federação da Agricultura e Pecuária da Bahia (Faeb) apontou que os longos períodos de estiagens afetarão os preços dos produtos da cesta básica, como leite, café, com grandes perdas na produção de fruticultura e milho, segundo o Canal Rural.
As carnes também tiveram aumentos, conforme levantamento, mas sofreram boicotes por parte do Carrefour. O CEO da empresa, Alexandre Bompard, afirmou que deixaria de comercializar as carnes do Mercosul por não atenderem aos seus critérios de qualidade.
O comunicado aconteceu após o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, mediantes a uma série de protestos do setor agrícola da França, país-sede do Carrefour. A parceria era especulada há duas décadas e foi considerada como uma das maiores negociações do livre comércio mundial.
Ainda, as queimadas em todo o país provocaram estragos econômicos de, aproximadamente, R$ 1,3 bilhão, segundo boletim divulgado em setembro pela Confederação Nacional de Municípios (CNM).
Para reverter as mudanças climáticas e, consequentemente, a emissão dos gases de efeito estufa, uma delegação com representantes de quase 200 países se reuniram na 29º Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP29), que aconteceu em Baku, no Azerbaijão, para discutir o financiamento global.
O acordo final determinou um valor de US$ 300 bilhões anuais e o pagamento deve ser feito pelos países desenvolvidos às nacões em desenvolvimento. A quantia do documento final em relação às negociações ficou acima da proposta inicial, de US$ 250 bilhões, mas muito abaixo do que era defendido por alguns países em desenvolvimento: US$ 1,3 trilhão.
Demais setores
No mercado de trabalho, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe o fim da escala 6x1, dominou as discussões de 2024. O regime propõe que o trabalhador tenha seis dias de trabalho para um dia de descanso. A proposição foi apresentada na Câmara dos Deputados pela deputada federal Erika Hilton (Psol-SP).
O setor comercial, o mais afetado pelo método 6x1, movimentou US$ 323,6 bilhões do valor das exportações e US$ 252 bilhões de importações, com saldo positivo de US$ 71,4 bilhões e corrente de comércio de US$ 575,9 bilhões, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/MDIC).
Outro segmento que teve destaque de crescimento foi o da construção civil, apresentando um crescimento significativo de 4,1%, em dados publicados pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), por meio do relatório Desempenho da Construção Civil em 2024 e Perspectivas para 2025.
Esse desempenho foi atribuído a fatores como o aquecimento do mercado imobiliário, que teve aumento de 20% de janeiro a setembro, totalizando 292.557 unidades comercializadas. Os lançamentos também cresceram 17,3%, refletindo expansão no setor.
Além disso, o segmento gerou mais de 230 mil novas vagas formais de trabalho entre janeiro e outubro de 2024, elevando o total de empregos na área para 2,98 milhões, um número próximo ao recorde histórico de 2014. O aumento aconteceu também por maiores demandas em obras devido ao período eleitoral, como da retomada de obras do Programa Minha Casa, Minha Vida, segundo informações da Agência Brasil.
A área de energia e mineração teve cortes recordes pelo governo Lula no orçamento de suas principais agências, incluindo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e a Agência Nacional de Mineração.
A Bahia, no entanto, ocupou a terceira posição no ranking da produção mineral brasileira, sendo líder em diversidade de minerais ofertados, incluindo níquel, cobre, cobalto, lítio, sílica, grafita e terras raras, que são utilizados na produção de baterias de carros elétricos, armazenamento de energia e infraestrutura de energias renováveis.
Na área da educação, o Governo Federal destinou mais de R$ 1,2 bilhão para a construção de creches e escolas na Bahia, além da aquisição de veículos escolares, com recursos provenientes do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Até setembro de 2024, o Ministério da Educação repassou R$ 382,8 milhões aos participantes do programa Pé de Meia. Também foram investidos R$ 56 milhões no programa Mais Futuro, que oferece auxílio financeiro a estudantes universitários em condições de vulnerabilidade socioeconômica. Até Julho, 10.103 universitários estavam sendo beneficiados pelo programa.
Em relação aos investimentos na área da saúde, a Secretária da Saúde da Bahia (Sesab-BA) apresentou um balanço do biênio 2023/2024 e, de acordo com a reunião do Conselho Estadual de Saúde (CES), o Governo fez um investimento de R$ 21,5 bilhões, sendo R$ 10,04 bilhões em 2023 e R$ 11,45 bilhões em 2024, representando recorde histórico.
No turismo, os investimentos de estrangeiros no Brasil cresceram 231% em 2024, destacando-se como um indicador positivo para o setor. Entre janeiro e setembro de 2024, o Brasil obteve mais de R$ 1,28 bilhão (US$ 212 milhões) em receitas provenientes do turismo internacional, conforme informações do jornal Tribuna da Bahia, com base no Ministério do Turismo, através de informações do Banco Central.
A Bahia, ainda, registrou um aumento de 60% no turismo internacional em 2024, com, aproximadamente, de 125.199 estrangeiros desembarcando nos aeroportos do estado, consolidando-se como líder no Nordeste brasileiro.
Estimativas
Por fim, a expectativa é de alta para o próximo ano, com a possibilidade de aumento de 2,4% na economia brasileira, com a inflação oficial pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) reduzida de 4,8% em 2024 para 4,5% no próximo ano, conforme estimativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI)
O relatório prevê crescimento de 2,1% na indústria em 2025. A taxa Selic (juros básicos da economia) deve ficar em 12,75% ao ano, meio ponto acima da taxa atual de 12,25%. Apesar da desvalorização cambial, a CNI acredita que o dólar terá média de R$ 5,70 no próximo ano.
A queda da inflação deve ser impactada pelos alimentos, visto que a previsão é de alta na safra e nas exportações. O pacote de gastos enviado ao Congresso deve ter aprovação de 70% a 80% das medidas propostas pelo Governo, representando cerca de R$ 22 bilhões em gastos obrigatórios para 2025, dos cerca de R$ 30 bilhões previstos na proposta original.
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