Economia & Mercado

Saiba qual é a gigante da comunicação contratada pela dona da CazéTV para conter crise em meio à disputa com CBF

Divulgação / CazéTV
LiveMode, controladora da CazéTV, contrata a FSB para aprimorar sua comunicação em meio a mudanças operacionais  |   Bnews - Divulgação Divulgação / CazéTV
Cauan Borges

por Cauan Borges

cauan.borges@bnews.com.br

Publicado em 25/06/2026, às 18h12



Em meio ao embate nos bastidores do futebol brasileiro sobre o futuro modelo de liga nacional, a LiveMode, empresa de mídia esportiva que controla integralmente a CazéTV, decidiu reforçar sua estratégia de comunicação e contratou a FSB, considerada hoje o maior ecossistema de gestão de reputação corporativa e relações públicas da América Latina.

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A contratação ocorreu no primeiro semestre de 2026, período em que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) retomou as articulações para consolidar um modelo de liga única com maior autonomia dos clubes e menor influência de investidores externos nas decisões estratégicas.

Segundo informações divulgadas pelo portal Metrópoles, aliados do presidente da CBF, Samir Xaud, atribuem parte da pressão pública sofrida recentemente pela entidade e sua gestão ao fortalecimento da estrutura de comunicação da LiveMode após a chegada da FSB.

A empresa de mídia e marketing esportivo ampliou sua presença no mercado em novembro de 2025 ao assumir o controle total da CazéTV. A empresa já possuía 51% do canal e adquiriu os 49% restantes que pertenciam ao streamer Casimiro Miguel em uma operação realizada por meio de troca de ações.

Quem é a FSB?

Fundada em 1980 por Francisco Soares Brandão, com sede no Rio de Janeiro, a FSB se consolidou como uma das maiores empresas do setor de comunicação estratégica da América Latina. Em 2024, a holding registrou faturamento de cerca de R$735 milhões e figura entre as 30 maiores agências de relações públicas do mundo.

Atualmente, o grupo opera por meio de mais de dez empresas integradas e atua em áreas como relações públicas, assessoria de imprensa, gestão de reputação, comunicação institucional, gestão de crise, relações governamentais, marketing digital e inteligência de dados.

Entre as principais marcas do ecossistema estão FSB Comunicação, Loures, Giusti, Jotacom, Seta (especializada em relações governamentais), Nexus (dados e inteligência) e Beon (ESG).

A companhia também mantém rede internacional de parcerias com atuação em 16 países. Hoje, a liderança executiva da holding está com Marcos Trindade, executivo que atua há mais de três décadas no grupo. O fundador Francisco Soares Brandão ocupa atualmente a presidência do conselho.

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Marcos Trindade, CEO e sócio da FSB Holding - (Crédito: Divulgação)

Casos da FSB 

Ao longo da trajetória, a empresa participou de projetos de comunicação para governos, grandes empresas e organizações privadas, mas também teve o nome associado a episódios de ampla repercussão pública.

Um dos casos ocorreu em 2017, quando a FSB contestou publicamente informações atribuídas à delação premiada do publicitário Renato Pereira. O delator afirmou ter atuado para influenciar a contratação da agência pela Prefeitura do Rio em um contrato ligado ao período da Olimpíada. Em resposta, a empresa classificou as declarações como inverídicas.

Antes disso, em 2013, a FSB já havia sido inserida em um debate nacional sobre o alcance e o poder das grandes assessorias de comunicação na política brasileira.

Naquele período, reportagens publicadas pelos veículos Época, O Globo e Veja repercutiram documentos atribuídos ao PMDB que citavam supostos pagamentos irregulares envolvendo o então senador Lindberg Farias, do PT, que era apontado como potencial adversário eleitoral do grupo político liderado por Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão no Rio de Janeiro.

No desdobramento do episódio, a revista Veja publicou que Lindberg demonstrava preocupação com a capacidade da FSB de reunir informações que pudessem gerar desgaste político e chegou a procurar a empresa para eventual contratação.

À época, a FSB mantinha contratos de comunicação relevantes ligados ao governo do Rio de Janeiro e foi citada como responsável pela comunicação da gestão estadual e pela futura campanha de Pezão ao governo fluminense.

O caso ampliou o debate sobre o crescimento das assessorias de reputação e comunicação estratégica no Brasil e sobre o novo papel dessas empresas na disputa por narrativa pública.

Naquele contexto, também ganharam espaço discussões sobre a atuação das grandes estruturas de comunicação para influenciar cobertura, monitorar ambiente digital, aproximar fontes institucionais da imprensa e construir posicionamentos estratégicos para clientes públicos e privados.

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