Economia & Mercado
A capital baiana apresentou avanços importantes no mercado de trabalho em 2025, mas ainda convive com desafios estruturais quando comparada a outras capitais do país. Os dados fazem parte do levantamento divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD Contínua), divulgado na última sexta-feira (20).
Em 2025, Salvador registrou taxa de desocupação de 8,9%, a menor desde o início da série histórica, em 2012. Apesar da melhora, o índice ainda colocou a capital baiana na 5ª posição entre as maiores taxas de desemprego do país. A cidade deixou de liderar o ranking negativo, posição ocupada em 2024, quando tinha 13,0%, mas ainda ficou atrás de capitais como São Luís, Manaus, Belém e Teresina.
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No quarto trimestre de 2025, o cenário também foi de melhora: a taxa caiu para 8,2%, o menor patamar já registrado para o período. Ainda assim, Salvador permaneceu entre as quatro capitais com maior desemprego no país naquele momento.
Mesmo com a queda no desemprego, Salvador ainda apresenta indicadores mais frágeis que a média nacional. Enquanto o Brasil registrou taxa de desocupação de 5,6% em 2025, a capital baiana permaneceu bem acima desse nível. No âmbito estadual, no 4º trimestre de 2025, a taxa de desocupação na Bahia apresentou uma terceira queda consecutiva, indo a 8,0% (havia sido de 8,5% no 3º trimestre). Dessa forma, quebrou o recorde anterior e se tornou a mais baixa nos 14 anos de série histórica da PNADC (incluindo 2012, quando a pesquisa começou a ser realizada).
Manteve-se, porém, como a 3ª maior dentre as unidades da Federação, abaixo das registradas em Pernambuco (8,8%) e Amapá (8,4%), mas agora empatada com as taxas de Piauí (8,0%) e Alagoas (8,0%). No ano de 2025, a taxa de desocupação na Bahia ficou em 8,7%, registrando uma quarta queda consecutiva e foi a menor, para o estado, nos 14 anos de série histórica.
O rendimento médio dos trabalhadores em Salvador foi de R$ 3.133 em 2025, com alta expressiva de 10,7% em relação ao ano anterior. Apesar do avanço, o valor é o 2º mais baixo entre todas as capitais brasileiras, à frente apenas de São Luís. O dado reforça um dos principais gargalos do mercado de trabalho local: mesmo com mais pessoas ocupadas, a remuneração média ainda é inferior à observada em grande parte do país.
Em relação à Bahia, o rendimento médio real dos trabalhadores baianos teve o terceiro menor aumento entre os estados (+1,8%), indo a R$ 2.284, e estacionando como segundo mais baixo do país. Em 2025, o rendimento médio real mensal, onde são descontados os efeitos da inflação, recebido por todos os trabalhos na Bahia foi R$ 2.284. O valor aumentou 1,8% frente ao de 2024 (R$ 2.244), mostrando um terceiro avanço consecutivo. Foi, entretanto, a 3ª menor alta entre as 27 unidades da Federação, acima apenas das registradas em Mato Grosso (+0,2%, de R$ 3.679 para R$ 3.888) e Alagoas (+1,0%, de R$ 2.505 para R$ 2.531).
Na Região Metropolitana de Salvador, o quadro é ainda mais desafiador. A taxa de desocupação ficou em 10,1% em 2025 — a mais alta entre todas as regiões metropolitanas pesquisadas. Já o rendimento médio na RMS foi de R$ 2.945, também o segundo menor do país entre as regiões metropolitanas, evidenciando um cenário de fragilidade econômica mais ampla no entorno da capital.
Embora o relatório do IBGE não detalhe exclusivamente Salvador nesse ponto, o contexto estadual ajuda a explicar a dinâmica da capital. Na Bahia, quase 80% das novas ocupações criadas em 2025 foram informais, indicando que boa parte da melhora no emprego ocorre sem garantias trabalhistas. Esse fenômeno impacta diretamente Salvador, que concentra grande parcela da atividade econômica do estado e tende a refletir essa precarização nas relações de trabalho.
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