Economia & Mercado
Na abertura dos trabalhos legislativos de 2026 da Câmara Municipal de Salvador, a secretária da Fazenda (SEFAZ), Giovanna Victer, foi direta, técnica e, ao mesmo tempo, carregado de recados políticos durante entrevista à imprensa, nesta segunda-feira (2).
A titular da SEFAZ fez questão de sustentar que a capital baiana vive um momento de “equilíbrio financeiro exemplar”, mas reconheceu que o desafio agora é transformar números positivos em entregas mais visíveis para a população.
Segundo Giovanna, Salvador fechou 2025 com todos os indicadores fiscais no azul: resultado primário positivo, poupança orçamentária e financeira preservadas e capacidade de endividamento mantida. “Isso não é um fim em si mesmo. É para que a gente consiga antecipar obras e, na prática, antecipar o bem-estar da cidade”, afirmou.
O argumento central da secretária é que o ajuste fiscal permitiu à gestão municipal contratar financiamentos e estruturar projetos que agora entram em fase de execução acelerada, dentro do segundo mandato do prefeito Bruno Reis.
O tom confiante também apareceu quando o assunto foi a preparação financeira para 2024. Giovanna garantiu que, além de recursos em caixa, a prefeitura tem empréstimos em estágio avançado de contratação, o que, segundo ela, assegura fôlego para implementar políticas públicas “no ritmo que a sociedade espera”. A fala responde, ainda que indiretamente, às críticas recorrentes da oposição sobre a dependência de financiamentos e o risco de endividamento futuro.
Relação com a Câmara
Questionada sobre a relação com a Câmara, especialmente após reclamações públicas da líder da oposição, vereadora Aladilce Souza, sobre falhas de comunicação, a secretária adotou um discurso conciliador, mas sem admitir erros estruturais. Disse que presta contas regularmente ao Legislativo, comparece pessoalmente a cada quatro meses e mantém a SEFAZ aberta a vereadores ao longo da semana. “Se há essa avaliação, o caminho é fortalecer ainda mais o diálogo”, resumiu. Nos bastidores, porém, a cobrança por mais transparência e previsibilidade na execução orçamentária segue como um ponto sensível entre governo e oposição.
Outro tema espinhoso tratado na entrevista foi o pagamento das emendas parlamentares. Giovanna negou atrasos generalizados e afirmou que a execução segue o orçamento aprovado pela Câmara, respeitando prioridades pactuadas com os vereadores. Reconheceu, contudo, que ajustes pontuais podem ocorrer e que eventuais ruídos são resolvidos “conforme vão aparecendo”, uma resposta que não encerra totalmente o debate, mas busca esfriar a tensão política.
Retaliação política?
No plano federal, a secretária afastou qualquer narrativa de retaliação política. Segundo ela, não há projetos de Salvador travados em Brasília e a interlocução com o governo federal é “técnica, correta e republicana”. “Não existe tentativa de prejudicar Salvador”, garantiu, reforçando que o município participa ativamente das instâncias nacionais de decisão.
A reforma tributária, aliás, apareceu, segundo a secretária, como uma aposta estratégica para o futuro das finanças municipais. Giovanna destacou que Salvador tende a ganhar arrecadação com o novo modelo, já que impostos passarão a ficar onde o consumo ocorre, e não mais concentrados em cidades-sede de grandes empresas, como Osasco e Barueri.
A participação da capital baiana no Comitê Gestor da Reforma Tributária, indicada pela Frente Nacional de Prefeitos, de acordo com Giovanna, foi apresentada como um trunfo político e técnico para defender os interesses locais.
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