Economia & Mercado

TCU aponta falhas no eSocial e alerta sobre risco de fraudes bilionárias em benefícios trabalhistas

Valter Campanato/Agência Brasil
Tribunal de contas identificou aumento expressivo nos números de beneficiários  |   Bnews - Divulgação Valter Campanato/Agência Brasil
Bruna Rocha

por Bruna Rocha

Publicado em 22/05/2025, às 11h30 - Atualizado às 12h37



Uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) identificou falhas graves na transparência do Sistema de Escrituração Digital das Obrigações Fiscais Previdenciárias e Trabalhistas (eSocial), plataforma responsável pelo pagamento do abono salarial e do seguro-desemprego no país.

O levantamento teve como foco avaliar a consistência e a integridade dos dados utilizados nos sistemas que dão suporte a esses benefícios, especialmente os extraídos do eSocial.

Durante a inspeção, o TCU revelou enfrentar dificuldades para acessar e analisar os dados dos sistemas que operam os pagamentos. Segundo o Acórdão 114/2025, de relatoria do ministro Bruno Dantas, as fragilidades aumentam significativamente o risco de pagamentos indevidos e fraudes.

A auditoria também acendeu um alerta sobre o crescimento expressivo no número de beneficiários. Entre 2022 e 2024, o total de pessoas atendidas saltou de 28,7 milhões para 32,2 milhões. Somente em 2023, os pagamentos chegaram a R$ 72,7 bilhões — sendo R$ 25 bilhões destinados ao abono salarial e R$ 47,7 bilhões ao seguro-desemprego.

“O volume de recursos envolvidos é elevado”, apontou o TCU.

Ainda segundo o órgão, a Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência (Dataprev), responsável por transformar os dados do eSocial em uma base intermediária chamada “eSocial Negócio”, enfrentou problemas operacionais que impediram o acesso da equipe de fiscalização a essa base de dados.

“A principal constatação da auditoria, consequentemente, foi a dificuldade de fiscalização do eSocial. Essa fragilidade, somada aos recentes escândalos de fraudes no INSS e às invasões de sistemas do governo federal, expõe vulnerabilidades na segurança e na confiabilidade de sistemas críticos para a gestão pública. O cenário levanta sérias preocupações sobre a integridade e a eficiência de ferramentas essenciais para a administração do país”, alerta o tribunal.

Como solução, o TCU determinou que o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), em parceria com a Dataprev, viabilize e disponibilize, no prazo de 10 dias, o acesso ao projeto DataLake ou a outro sistema equivalente. Segundo o tribunal, esse acesso é fundamental para que os órgãos de controle possam consultar os dados do “eSocial Negócio”.

Além disso, reforçou que cabe ao MTE garantir o cumprimento do contrato firmado com a Dataprev, assegurando acesso irrestrito aos dados necessários para fiscalização.

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