Economia & Mercado
Publicado em 07/01/2025, às 10h20 Publicado por Vagner Ferreira
Uma das dúvidas mais comuns, especialmente entre investidores iniciantes, é se vale a pena investir no dólar em 2025, mesmo com a alta na cotação. De acordo com informações do InfoMoney, os ativos locais no Brasil foram mais impactados do que os investimentos com exposição internacional na carteira de investimentos.
Isso porque, enquanto o dólar teve uma alta anual de 27%, o S&P 500 subiu 24,9% e o Nasdaq 25,6%, o índice BDRX, uma ação internacional, teve um crescimento de 72,19%.
A renda fixa também teve bom desempenho, com fundos de "crédito high grade" acumulando um ganho anual de 12,28%, o CDI totalizando 10,82%, e os títulos de inflação do governo oferecendo um retorno de 6,16%. Os ativos internacionais, considerando a alta do dólar, ainda apresentaram desempenho superior.
A renda fixa global atingiu 33,36% com influência da moeda americana, em comparação com 8,59% sem o impacto do câmbio. Já a renda variável superou os investimentos brasileiros, com um retorno de 36,16% com o dólar e 16,44% sem ele. Vale destacar que, historicamente, a Bolsa americana tem uma média anual de retorno superior a 11%, e o dólar, no médio prazo, tende a se valorizar frente ao real.
Rodrigo Sgavioli, head de alocação da XP, ressaltou a importância da diversificação internacional em uma carteira de investimentos. "O Brasil é um país arriscado, com cenários turbulentos frequentes. Ter uma parcela dos investimentos no exterior é uma forma de se descorrelacionar do cenário local, proporcionando mais estabilidade e segurança", explicou.
Ele também destacou que, "estamos falando do maior mercado de capitais do mundo, com empresas que lideram as mudanças tecnológicas dos últimos anos, enquanto no Brasil, muitas empresas ainda estão ligadas à economia do passado." Além disso, Sgavioli apontou o dólar como uma proteção contra a inflação local, que está fortemente associada à alta da moeda estrangeira.
De acordo com os especialistas, o investimento internacional não deve depender exclusivamente da valorização do dólar, mas sim de ações, fundos ou títulos do Tesouro Americano, com base na solidez do ativo.
Paula Zogbi, gerente de research da Nomad, alertou que o câmbio é uma das variáveis mais imprevisíveis da economia, com grande volatilidade no curto e médio prazos e sensibilidade a diversos fatores, tanto domésticos quanto globais. "Por isso, não faz sentido tentar prever o momento ideal para realizar remessas ou investir em dólares", afirmou.
A recomendação, segundo Zogbi, é a compra gradual de dólares, mês a mês, para que o custo seja mais favorável. "Além de evitar ficar refém da cotação, essa abordagem evita o custo de oportunidade — ou seja, o risco de perder um período de valorização de um ativo devido ao preço do dólar", completou.
Apesar das incertezas relacionadas à gestão de Donald Trump, os especialistas acreditam na valorização do dólar e, principalmente, dos ativos domésticos que tiveram poucas movimentações nos últimos anos, como os setores de energia, especialmente petróleo e gás, indústrias, bancos e utilidades públicas.
As expectativas para o mercado de ações dos Estados Unidos são positivas, mas, inicialmente, os agentes financeiros preferem adotar uma postura cautelosa.
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