Coronavírus

Com queda no faturamento, setor de casamentos torce pelo fim da pandemia

[Com queda no faturamento, setor de casamentos torce pelo fim da pandemia]
Por: Thiago Mohallem Por: Samuel Barbosa 0comentários

Com a pandemia causada pelo novo coronavírus, vários setores da economia foram pegos de surpresa e tiveram que suspender suas atividades, seguindo as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS). No ramo de eventos sociais, a Covid-19 mudou os planos de noivos, que sem alternativa e com grande aperto no coração, tiveram que adiar o sonho do casamento.

Impossibilitados de realizar as cerimônias, o setor vem sofrendo com a queda no faturamento, e o pior, ainda sem perspectiva de dias melhores. “No início a gente recebeu muitas noivas em desespero, querendo saber como fazer para remarcar, a priori todas elas eram noivas que iam casar no mês de abril, maio, junho e julho. Eu disse pra elas reavaliarem e ver a melhor data para remarcar. Não se deve desistir de um sonho por causa da pandemia”, ressaltou Alex Sandes, diretor de um cerimonial que leva seu nome.

Ele conta que por semana chegava a atender de 10 a 20 noivas de forma presencial. Esse número era ainda maior através de aplicativo de mensagens e email. Após a pandemia, Sandes atende cinco noivas por semana. “Esperamos que em junho e julho a gente consiga aumentar esse número, mas referente ao atendimento de noivas o movimento está franquíssimo. A nossa aposta é que 2021 seja o ano de bombar para compensar 2020, porque pra gente do setor de eventos 2020 praticamente não vai existir”, disse Sandes.

Diante desse cenário, o cerimonialista não baixou a cabeça e se reinventou. Lançou uma promoção para casais. “Temos que criar atrativos para as noivas, quem fechar contrato com a gente ganha a noite de núpcias” Além de colocar em prática um desejo antigo de trabalhar com venda de refeições através de delivery. “Já eu tinha planos de trabalhar com delivery de comidas, mas eu sempre jogava para a frente, não por desistência, mas por causa da própria rotina corrida de trabalhar com casamento”. 

Assim como vários outros soteropolitanos, Sandes teve que alterar a rotina de sua empresa, que agora trabalha em esquema de rodízio. “Fizemos uma negociação, oferecemos uma ajuda de custo para eles. Quem paga aluguel a gente ajuda, praticamente estamos pagando 50% dos salários e o restante vamos restituir no próximo ano, tudo documentado através de um advogado”. O mesmo ele tem feito com os demais prestadores de serviço que recebem por evento trabalhado, como garçons, copeira, auxiliares de limpeza, barman, entre outros. Esses profissionais têm recebido cestas básicas para ajudar nesse período de crise.

De acordo com uma pesquisa encomendada pela Associação Brasileira de Eventos (Abrafesta) ao Instituto Locomotiva, em 2016 o setor movimentou R$ 17 bilhões. Só na Bahia, em 2018, 68.623 casais oficializaram a união, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Com o adiamento dos casamentos, os espaços de eventos também tiveram que se debruçar sobre o calendário para começar a reagendar as datas, a exemplo do Cerimonial Rainha Leonor, na Pupileira, bairro de Nazaré. O espaço, fundado em 2002, tem capacidade para acolher 3.000 pessoas. 

Segundo Fagna Freitas, gerente de eventos da Santa Casa da Bahia, responsável pelo cerimonial, 38 eventos já foram adiados. “Na mesma semana que saiu o decreto eu tive que transferir dois eventos para o segundo semestre de 2020, outras já transferiam para 2021”, disse.

Ela explica que mesmo com a pandemia, o Rainha Leonor tem sido procurado por noivas interessadas em realizar seus casamentos no espaço. “A cliente entra no site do cerimonial, solicita orçamento ou liga em nossos telefones e a gente manda esses orçamentos, assinamos o contrato. Estamos abertos para escutar os clientes. As noivas não deixaram de sonhar, elas têm o sonho de se casar, seja em 2020, 2021, 2022 e elas estão em casa e cada vez mais pensam em seu casamento”.

Questionada sobre o impacto que a pandemia vem causando no faturamento do cerimonial, Fagna explica que todo o valor pago pela utilização do espaço é revertido para a manutenção de seis centros de educação infantil que funcionam no Bairro da Paz. “Não temos nem 20% da receita que teríamos em um período normal sem pandemia, as crianças não estão tendo aula, mas temos que manter nossos profissionais e continuamos ajudando essas crianças mesmo de casa”, ressaltou. Os centros atendem cerca de 600 crianças com idade de dois a cinco anos, com educação em período integral.

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