A situação na Assembleia Legislativa da Bahia está cada vez mais tensa. Na tarde desta sexta-feira (20), o presidente da casa, Marcelo Nilo, concedeu uma entrevista coletiva à imprensa e declarou que, se depender dele, não haverá polícia. "Eu tenho um nome a zelar. Não vou sujá-lo por vontade de Rui".
Para Nilo, "essa greve deixou de ser um movimento salarial para ser um movimento partidário".
Clima tenso
O radialista e apresentador Adelson Carvalho foi expulso pelos professores grevistas da Assembleia Legislativa na tarde desta sexta-feira (20). Os educadores jogaram dinheiro no rosto de Adelson Carvalho e tiraram o repórter do prédio.
"Eu sempre defendi a classe, mas não entendo essa reação. É muito estranho que os professores digam que estão sem dinheiro e joguem dinheiro na minha cara. Jogaram notas de R$ 2 e R$ 5", afirmou Adelson Carvalho.
Os professores explicaram, ao vivo durante o programa Se Liga Bocão, que o ato foi em protesto a cobertura que foi feita no caso da agressão da professora a funcionária da Assembleia Legislativa. Para os educadores, a imprensa de modo geral foi tendenciosa e tratou injustamente a professora que há mais de 20 anos dá aulas na rede estadual de ensino.
A história se repete
"Não acredito que não irá cumprir com o que assinou. Ele assinou e se comprometeu a sair. Agora, se ele é 'Rainha da Inglaterra', acho que deve renunciar", disse ao Bocão News o presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, Marcelo Nilo, após o presidente da Associação dos Professores do Estado da Bahia, Rui Oliveira, declarar, ao vivo, no programa Se Liga Bocão/ Record Bahia, que "quando a polícia chegar iremos deixar a Assembleia com lápis e livros nas mãos. Não iremos resistir".
"Não pensei em polícia. Fizemos um acordo e ele assinou. Lei judicial se cumpre", reafirmou Nilo, informando que vai aguardar o prazo estabelecido - 14h - para decidir como proceder posteriormente.
Na noite de ontem, o juiz da 6ª Vara da Fazenda Pública, Ruiz Britto, pediu a reintegração de posse do prédio da Assembleia Legislativa da Bahia (Alba).
Mas, desde então, eles se mobilizaram contra e dizem que a greve vai continuar. "Vamos resistir. "Iremos deitar no chão. A polícia terá que tirar um por um". "Não iremos sair daqui e a greve continua". "Na Alba ou na rua a greve continua". Estas são as palavras ditas pelos grevistas que marcaram a manhã desta sexta-feira (20).
O que mais chama a atenção - além do movimento já bater recorde, somando-se 101 dias sem aulas no Estado, é que no discurso das partes envolvidas há algo já dito anteriormente, mas desta vez, invertendo os personagens. De um lado, professores que esperam a polícia chegar - em sinal de resistência a algo anteriormente assinado e acordado, chamando assim para um encontro entre força policial e educadores - não desejado pela população. Já na outra ponta, a parte reivindica justamente o que vem sendo pleiteado pelos agentes da greve desde o primeiro dia: cumprir justamente com o que foi assinado antes. Coisas de governo e sindicato ou mera coincidência?
Com informações de Gilberto Junior - Fotógrafo Bocão News
Matéria publicada dia 20 de julho às 16h03