Docentes retornaram ao trabalho após 115 dias de greve |
Publicado em 06/08/2012, às 21h48 Alessandro Isabel (twitter: @alesandroisabel
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A volta às aulas na rede estadual de ensino se confirmou nesta segunda-feira (06) em Salvador. Após 115 dias de braços cruzados os professores da rede de ensino estadual retornaram para as unidades de ensino. Segundo Cléber Azevedo, diretor do Colégio Central – maior centro educacional público do Estado – todos os professores compareceram para dar continuidade ao trabalho – interrompido no dia 11 de abril com a greve - que deve ser prolongado.
O diretor afirma que já fechou o cronograma de reposição de aulas que deve seguir até o mês de abril do próximo ano. “Hoje foi o nosso primeiro dia de aulas com todos os professores em sala. Os alunos do 1º a 2º ano terão que ‘emendar’ 2013”, afirma ressaltando que agora falta o retorno de parte dos estudantes que não compareceram neste primeiro dia de retorno.
Para Jaciara Cintra, aluna do 3º anos do ensino médio do Colégio Central o retorno serve como alento, mas não deve adiantar muito. “Estamos próximos do Enem e dos grandes vestibulares das universidades estaduais e federais e posso garantir que não temos a mínima condição de concorrer contra os estudantes de escolas particulares”, reconhece.
Reposição de aulas - A Secretaria da Educação garante a reposição de todas as aulas que foram prejudicadas com a paralisação dos professores. “Não existe hipótese de anulação do ano letivo. Algumas escolas sequer pararam suas atividades e em outras a paralisação ocorreu por um curto período de tempo. Todas estas já se encontram cumprindo o calendário de reposição de aulas”, afirma Osvaldo Barreto, secretário da Educação.
Os programas de reposição de aulas são aprovados pelos colegiados escolares das unidades e supervisionados pela Secretaria da Educação. Para aquelas unidades escolares que ainda não realizaram reposição, a orientação é que priorizem a utilização dos sábados e, naquelas em que for preciso, utilizar o mês de janeiro de 2013.
Segundo Secretaria da Educação do Estado da Bahia (SEC), a maioria das unidades de ensino já havia retomado as atividades, mas 132 mil alunos de 104 colégios ainda permaneciam parados por conta da greve. Para estes jovens, o maior prejuízo: foram perdidos 72 dias letivos. Ainda segundo a SEC o conteúdo programático deste período será recuperado com reposições de aulas que vão invadir 2013 e terminar somente no fim de fevereiro.
Das 1.411 unidades de ensino da rede estadual baiana, outras 107 escolas em que as aulas foram retomadas antes do fim da greve seguirão com aulas até meados de fevereiro. As menos prejudicadas, 785 escolas, terão finalizado o calendário antes do Natal. Devido à diferença no tempo de paralisação para cada unidade de ensino, o calendário de reposição será definido pela direção de cada colégio.
Entre as 104 escolas que mantiveram-se de portas fechadas durante todo o período da greve, 72 estão em Salvador. Os alunos do terceiro ano do ensino médio são os que terão maior dificuldade para cumprir o calendário. Nos fins de semana, terão de se dividir entre aulas de reposição e os aulões preparatórios para a prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
Fim da greve - Em correspondência enviada a APLB-SINDICATO, o Governo da Bahia apresentou uma contraproposta, na quinta-feira (02), para a realização do acordo final da greve dos professores. Foram apresentadas clausulas econômicas, contidas na proposta de intermediação do Ministério Público Estadual (MPE) e Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA).
Entre os itens, destaca-se que, além dos reajustes salariais concedidos à categoria neste ano, que variam de 6,5% a 11,5%, o Governo irá conceder a todos os professores licenciados da carreira de Magistério, por meio de curso de atualização de práticas pedagógicas, promoção com ganho de 7%, em novembro de 2012, e nova promoção, também com ganho de 7%, em março de 2013.
Pela contraproposta, o Estado encaminhará para revogação o artigo 3º da Lei 12.364, de 25 de novembro de 2011, que prevê reajuste de 3% e 4% para os meses de outubro de 2013 e de 2014, respectivamente. E qualquer reajuste salarial linear concedido aos servidores públicos, contemplará os professores.
As solicitações do sindicato relacionadas a demissões, processos administrativos, salários dos professores e repasses das contribuições sindicais foram aceitas pelo governo que somadas às questões econômicas se configuram como base do acordo.
“Para efetivação da proposta atual, é necessária a assinatura de concordância entre as partes, bem como o compromisso do sindicato em suspender imediatamente o movimento reivindicatório e os professores cumprirem o calendário de reposição das aulas”, conclui o documento enviado à APLB, com cópia para o MPE, TJBA e Ministério Público do Trabalho.
Matéria originalmente publicada às 12h06 do dia 06/08.
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