Educação
Publicado em 22/09/2018, às 20h51 Marcelo Cerqueira - Educador *
Mais uma vez eu tiro o chapéu para a publicidade baiana para esses publicitários geniais. A campanha “Meninxs” do Colégio Miró cumpriu o objetivo de promover o debate e jogar luzes em cima das questões de gênero na educação formal. Campanha limpa, alegre, bonita sem possuir elementos que possam indicar algum tipo de erotismo. O “x” na palavra, que substitui as vogais “a ou o” nessa perspectiva de construção se transformam em elementos para estudos científicos, construção de ciência na escola viva.
Na campanha os elementos utilizados pelo Colégio Miró estimulam o desenvolvimento do cognitivo comportamental, reforça o desenvolvimento do conhecimento empírico junto aos alunos a partir da observação científica do tempo atual e suas vivências cotidianas. Nada mais existe na peça que não seja estimulo para construir o conhecimento cientifico que se materializa no concreto e nas ações subjetivas das coisas reais. Escola é isso! É instigação, curiosidade, conhecimento, busca e socialização que é um passo importante na educação.
A Meninxs: “Criando o seu tempo” foi veiculada na cidade de Salvador através de peças de outdoors, a palavra “Meninxs” se sobrepõe a imagens do que seria adolescentes jovens de ambos dos gêneros masculino e feminino. A peça não sugere identidade de gênero, mas revela um cuidado, um respeito com a igualdade entre os gêneros. A entidade educacional assina a peça “Mais que uma escola, uma escolha”, isso se refere que eles um método educacional que além de formar para o trabalho, humaniza os seus alunos para que eles possam lidar com as alteridades.
O Colégio não infligiu a Lei, ao contrário, promove a função da educação e a Constituição Federal, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), Plano Nacional de Educação (PNE) e Declaração Universal dos Direitos Humanos nos três objetivos principais que são: o desenvolvimento humano, cidadania e o trabalho, a campanha está perfeitamente sincronizada com as Leis e adequada, porque promove o respeito as diferenças no ambiente escolar.
A campanha do Colégio Miró fala de criação e criação “Criando o seu tempo” na perspectiva da aprendizagem usando o método construtivista de Piaget que estimula a inteligência individual para interagir com a comunidade, com os outros, com a natureza, com as artes e as culturas na perspectiva da construção do conhecimento cientifico do real.
O Colégio Miró fez militância em educação cumprindo o seu papel e o seu Plano Pedagógico. Eu posso entender que o assunto é relativamente novo e acaba, talvez, gerando confusão na cabeça dos pais dos alunos, o que de certo que sim, são fantasmas que acabam atormentando as famílias em relação a educação dos seus filhos.
É preciso entender que a responsabilidade da educação de crianças, jovens e adolescentes não compete, só e exclusivamente a escola. É preciso entender que a escola é uma parceira da educação formal e é papel sim da escola fazer abordagem igual a essa da campanha do Colégio Miró. O ambiente escolar é muito diversificado e é preciso reconhecer as diferenças dentro e fora com respeito e delicadeza e a escola tem se esforçado muito para trazer a comunidade para dentro da sala de aula.
Educação, educar é uma estrutura complexa e o papel educador não compete somente as escolas, aos professores, mas também das famílias. E é preciso entender que uma é extensão da outra.
A escola muda a cada dia e isso é para acompanhar o mundo pós-moderno e as novas tecnologias em educação que surgem, inclusive as virtuais, as mídias sociais que se mostraram as vezes mais interessante que a educação para a comunidade estudantil. A escola busca se adequar, mas sem as famílias como entes educadores a escola enfraquece. Por exemplo, a escola deixou de comemorar dias dos pais e das mães, mas passou a comemorar o dia das Famílias, isso por reconhecer que os alunos possuem arranjos familiares diversificados, que necessariamente não reproduz o modelo de família tradicional.
Esse tipo de debate me sensibiliza na condição de educador. Eu, Marcelo Cerqueira, quero me apresentar, como presidente do Grupo Gay da Bahia (GGB), mas esvazio todo conteúdo sensual que a entidade descritora possa emitir na cabeça de alguns leitores, e me expresso na condição de pessoa.
*Marcelo Cerqueira é professor de história, pesquisador e presidente do Grupo Gay da Bahia
Classificação Indicativa: Livre
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