Educação
por Bruna Rocha
Publicado em 11/12/2025, às 08h30 - Atualizado às 09h49
Com tom bem-humorado e com o objetivo de desmistificar a pesquisa científica, estudantes dos cursos de Bacharelado e Licenciatura em Física da Universidade Federal da Bahia (UFBA) criaram um podcast que leva os saberes universitários para além dos muros da instituição e alcança ouvintes de todo o país.
Organizado pelos estudantes Filipe Gomes, Mariana Chagas e Thiago Faustino, o projeto de extensão consolidou-se em formato de áudio. O podcast “FisiAmigxs: Fronteiras da Física” nasceu em 2021, durante uma disciplina online ministrada pelo professor Frederico Prudente, no período da pandemia de Covid-19. O projeto é direcionado a “quem é fã de ciência e quer aprender sobre as últimas descobertas da física” e, segundo seus criadores, sem “medo de rir um pouco” enquanto aprende.
“A ideia do projeto, que acredito se manter até hoje, é popularizar o conhecimento científico por meio das redes sociais, adaptando a linguagem para cada plataforma. O projeto começou com apenas três estudantes e, atualmente, conta com 28 integrantes. Considerando todo o período desde 2021, estimo que cerca de 40 alunos já tenham passado pelo grupo, entre graduandos, mestrandos e doutorandos”, conta o estudante de licenciatura e bolsista do projeto de extensão Guilherme Aragão, de 24 anos.

Disponível nas principais plataformas de áudio, o programa já reúne mais de 20 episódios, com duração que varia de 16 minutos a uma hora. Os temas vão da criação do planetário à história e filosofia das ciências, passando por aventuras e desafios vividos por estudantes ao longo da trajetória no curso acadêmico.
“O podcast Fisiamigxs, um lugar onde a física é descomplicada e explicada de uma forma divertida. Aqui, nós exploramos o mundo da física com curiosidades científicas inusitadas, entrevistas com especialistas no assunto e piadas ruins (sim, não poderia faltar!)”, explica o estudante de física.
O graduando em Física destaca ainda que o FisiAmigxs se empenha em diversificar as linguagens utilizadas nas postagens, buscando alcançar o maior número possível de pessoas, e, sobretudo, garantir que esse público compreenda o conteúdo apresentado.
“Há um esforço constante para tornar conceitos técnicos mais acessíveis, compartilhar curiosidades sobre fenômenos físicos e dar visibilidade a áreas da ciência que costumam receber menos atenção”, acrescentou.
Com quatro anos de história, o projeto de extensão expandiu-se para além do podcast, conforme o bolsista, as redes sociais do FisiAmigxs também passaram a divulgar outros eventos acadêmicos que acontecem na UFBA. A fim de aproximar o público geral da produção científica universitária.
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“Há também reels e vídeos para o TikTok que apresentam eventos organizados tanto no Instituto de Física quanto na própria UFBA, com o objetivo de ampliar a visibilidade dessas iniciativas e ajudá-las a ‘furar a bolha’. Entre esses eventos estão o Congresso UFBA e o Física Fora da Caixinha”, conclui Guilherme.
Em sintonia com o movimento do FisiAmigxs, o professor do Instituto de Física da UFBA, Alexandre Barbosa, reúne 60,4 mil seguidores em seu perfil nas redes sociais, onde é conhecido como “Afrofísico”.
No perfil, Alexandre ensina desde 2021, de forma leve e por meio de vídeos divertidos, “a física das coisas e as coisas da física”. Além de conteúdos sobre fenômenos científicos do cotidiano, ele também compartilha dicas de estudo, concursos e carreira acadêmica.
“Criei o canal motivado pelo desejo de compartilhar meus conhecimentos em física, já que, mesmo sendo formado em licenciatura, estava afastado da sala devido ao cargo de técnico em assuntos educacionais na UFBA (um cargo que não dá aula), então eu sentia falta de dar aula”, lembra o docente.
O Afrofísico também destaca que enxerga as redes como um grande potencial educacional. “Acredito que isso impactou minha carreira acadêmica, pois passei a ser convidado para palestras e eventos científicos, ampliando minha atuação na área. As redes sociais me projetaram e me colocaram em espaços que talvez eu não alcançaria de outra forma. Por isso, vejo nelas um enorme potencial, tanto para divulgar ciência quanto para fortalecer nossa trajetória como cientistas.”
Os seguidores do docente demonstram gratidão pelos aprendizados obtidos no perfil. “Amei a dica”, comentou uma internauta. “Um divo necessário”, escreveu outra fã.
“Pela primeiríssima vez na vida eu aprendi física facilmente. Arrasou!”, disse outra seguidora.
Fora das redes sociais, o físico também coordena a feira de ciências “Física Fora da Caixinha”, uma ação conjunta de estudantes de diversas áreas, incluindo integrantes do FisiAmigxs, para desmistificar o estudo da física. Em julho de 2025, o evento chegou à sua 2ª edição, realizada no Parque da Cidade, no bairro do Itaigara, em Salvador.
“O projeto já impactou milhares de pessoas e, nesta edição, mobiliza mais de 180 estudantes e docentes, reunindo mais de 30 iniciativas de extensão, ensino e pesquisa. É ciência feita com paixão, compromisso social e voltada para todos os públicos”, destacou Alexandre Barbosa ao BNews.
O interesse pelo estudo científico também se reflete em estatísticas federais. Dados do Censo da Educação Superior de 2024, produzido pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e divulgados pelo Ministério da Educação, mostram que a formação de professores em Física está entre as 15 maiores licenciaturas do país em número de matrículas. Ao todo, mais de 24 mil inscrições foram registradas em cursos da área em todo o território nacional.
Além disso, a formação de professores em Física no país apresenta 47,6% das matrículas em instituições públicas, que ofertaram mais de 11 mil vagas em 2024.
Na Bahia, a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) do Governo do Estado vem desenvolvendo ações para ampliar o incentivo à produção e divulgação de novas ciências, inovações e tecnologias.
Desde 2007, o Governo da Bahia, por meio do Inovatec, vem ampliando o fomento à produção científica e tecnológica no estado, um movimento que ganhou ainda mais força em 2025, com atuação em todo o território baiano.
O Inovatec é um dos principais programas de incentivo à inovação do governo baiano e atua de forma complementar à Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia (Fapesb).
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