Educação

Estudante de Salvador vence desafio e cruza o mundo em intercâmbio: “Nem pra minha família eu avisei”

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Futura urbanista compartilha suas impressões sobre a cultura, a infraestrutura e a rotina acadêmica na China  |   Bnews - Divulgação Reprodução/Redes Sociais Uneb
Camila Sales

por Camila Sales

Publicado em 12/07/2026, às 07h00



A oportunidade de atravessar o mundo e mergulhar em uma das culturas mais milenares e tecnologicamente avançadas do planeta chegou quase por acaso para Polyana Ferreira.

A estudante do 5º semestre de Urbanismo, no Campus I da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), em Salvador, soube do edital de mobilidade da Secretaria Especial de Relações Internacionais (SERINT) por meio de Pedro, um colega da liga de drones da equipe de robótica Bahia.rt — campeã mundial na categoria em 2025.

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A inscrição, feita de forma despretensiosa, transformou-se em uma aprovação surpreendente.

"Nem para minha família eu avisei. Só souberam quando eu já tinha sido aprovada. Era um sentimento de ‘parece bom demais para ser verdade’, e a ficha só caiu no meu segundo dia aqui", disse em entrevista ao BNEWS.

O intercâmbio faz parte do Programa Campus de Verão na China (Edital nº 008/2026), que levou uma delegação de 20 estudantes da UNEB, acompanhados pelo secretário da SERINT, prof. dr. Elizeu Clementino de Souza, para uma imersão na Universidade Normal de Tianjin.

Segundo a entrevistada, o primeiro grande choque ao desembarcar na China foi o idioma e a infraestrutura. No aeroporto da capital do país, a ausência da língua inglesa foi notável.

A sinalização e o atendimento eram voltados quase exclusivamente para o público interno, evidenciando uma infraestrutura gigantesca pensada para o próprio povo.

"Quase nenhum chinês fala inglês, então eu aprendi palavras básicas. Mas aqui é tudo tão prático que eu posso entrar numa loja, escolher meu produto, pagar e sair sem precisar falar nada além de um ‘obrigada’ em mandarim", contou.

O tamanho das instituições também impressionou a futura urbanista, que analisou que o campus onde estão instalados é maior do que muitos bairros de Salvador. Ela descreve que as ruas internas são dominadas por bicicletas, principal meio de transporte dos estudantes, com pouquíssima presença de carros.

Dinâmica acadêmica: Tianjin x UNEB

Na entrevista, a estudante explica que a rotina de estudos em Tianjin é intensa, durando de 7 a 8 horas diárias, mas o modelo chinês de intervalos a torna mais leve. As aulas são divididas em blocos de 1h30, seguidos por 10 minutos de descanso.

Segundo ela, a proximidade dos alojamentos e essa fragmentação diminuem o desgaste físico.

"Pelo fato de eu morar ao lado do prédio das aulas, é bem menos desgastante. Não preciso acordar tão cedo para pegar transporte. Já na UNEB, não tenho esse intervalo, então fico bem mais cansada, pois tenho aula a manhã inteira e robótica três dias na semana", compara. Ela afirma ainda que essa organização permite que os estudantes tenham energia no fim do dia para explorar a cidade.

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Com isso, a delegação baiana tem vivenciado um cronograma rico, organizado pela instituição anfitriã. Nos primeiros dias, sob a liderança da profª Guo Jiajia, do programa IDICLE, os alunos tiveram aulas de mandarim, experimentaram vestimentas tradicionais e realizaram visitas de campo ao Museu Nacional de Tianjin.

Como estudante de Urbanismo, a percepção de Polyana sobre as dinâmicas urbanas é aguçada. Ela observou uma diferença significativa de comportamento, custo de vida e sociabilidade entre a capital e a cidade universitária.

  • Beijing: A capital apresentou-se como uma metrópole de custo de vida altíssimo. A estudante relatou que as opções de lazer para jovens com poucos recursos são escassas e caras. O comportamento social pareceu mais restrito, e a cidade, menos voltada para a convivência urbana acessível e informal.
  • Tianjin: A apenas duas horas da capital, a cidade onde o grupo passa a maior parte do tempo oferece uma experiência urbana mais orgânica. Com comércio de rua ativo, preços acessíveis e espaços para os jovens se encontrarem, o local permite uma socialização mais real e imersiva.

Nas duas cidades, a presença dos brasileiros chamou a atenção. Por não estarem acostumados com estrangeiros fora das zonas mais elitizadas ou de shoppings, os moradores abordaram os estudantes nas ruas para tirar fotos, encantados com a diversidade do grupo, além de manter conversas frequentes sobre a Copa do Mundo e comparações entre os costumes dos dois países.

A cultura da eficiência e a visita à BYD

O desenvolvimento acelerado da China é impulsionado por suas engenharias e ciências. Polyana descreve o que presenciou como "o meio-termo entre a modernidade e a tradição".

Os chineses preservam sua história, como observado na visita à Grande Muralha, onde ela foi uma das quatro únicas estudantes do grupo a alcançar o topo, descrevendo o local como "muito pacífico e quieto". Ao mesmo tempo, investem fortemente em inovação para maximizar a eficiência. O trem-bala, apresentado pelo Centro de Educação e Cooperação em Línguas (CLEC), é uma das maiores provas dessa união.

O ápice tecnológico da viagem, porém, foi a visita técnica à sede da montadora BYD. O grupo conheceu a história dos transportes mundiais e aprendeu como a empresa tem liderado a modernização de tecnologias voltadas à redução do impacto ambiental. As metas de sustentabilidade da gigante chinesa deixaram claro para os estudantes como o planejamento urbano e a mobilidade do futuro estão sendo desenhados agora.

Após cruzar o mundo, a estudante baiana afirma que a experiência transformou sua trajetória profissional e pessoal.

"Com certeza, durante o tempo que estive aqui, já senti que vou voltar outra Polyana, uma urbanista com outra visão", diz.

Para os colegas da UNEB e da rede estadual que sonham com uma oportunidade semelhante, ela deixa um recado:

"Se arrisque, conheça, aprenda. E, como disse a anfitriã Guo Jiajia, sempre pensem na sua segurança e na sua saúde ao planejar o futuro", garante.

Histórias como essa reforçam que a ciência produzida na Bahia merece ser vista, incentivada e valorizada. Quanto mais houver investimento em educação e pesquisa, mais veremos a Bahia exportando conhecimento e trazendo de volta novas ideias para inovar a nossa realidade.

Classificação Indicativa: Livre

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